quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Experimentando...


Uma mulher desempenha diversos papéis na vida antes de decifrar quem é na realidade. Ela é sociável e firme num minuto, frágil e medrosa no seguinte. Pode trajar um vestido de noite e se aventurar numa balada ou vestir um terninho e enfrentar uma reunião.

Essas fases não são períodos aleatórios passados fazendo coisas que ela nunca mais fará, ou saindo com gente de quem se esquecerá para sempre. Ela carrega pedaços de cada fase por toda a vida, e cada qual é parte integrante do processo de aprendizagem que a transforma na mulher confiante e feliz que ela está fadada a ser. Como jovens e mulheres, o destino nos presenteia propositadamente com esse estado de múltiplas personalidades, e é nossa função rir e aprender com tudo isso (já que não é possível ir atrás do destino e enchê-lo de palmadas por nos torturar dessa forma).

Nunca paramos de aprender nem de mudar, mesmo depois de crescidas. Continuamos a desempenhar vários papéis variados – a esposa, a mãe, a tia, a colega de trabalho, a avó, entre outros. A vida é uma jornada de crescimento e de transformação, mas é isso que a mantém interessante.

Assim, podemos usar nossas experiências para ajudar outras mulheres a passarem pelas suas. Podemos ser pacientes com nossas amigas, irmãs, colegas de trabalho, filhas, netas, permitindo que experimentem cada fase por completo, jamais esperando que cheguem onde estamos hoje sem dar os passos necessários para chegar lá. Podemos rir e encontrar consolo em saber que nenhuma fase da vida dura para sempre, e que sempre podemos contar com a mudança. Siga em frente com sua vida e lembre-se das lições que aprendeu na juventude. Ria das coisas engraçadas que fez, encare sua versão mais jovem com alguma clemência e sempre celebre e abrace as mulheres que você será aos 30 anos.

Quando pequena, meus pais me diziam que minhas sardas caminhavam pelo meu corpo enquanto eu dormia, e que se por acaso eu acordasse no meio da noite, elas parariam no local onde estavam, e meu corpo ficaria sardento como meu rosto... Claro que eu ficava com os olhos bem fechados para não presenciar as sardas perambulando na calada da noite sobre mim, e quando amanhecia, eu verificava se todas estavam no mesmo lugar. Coisas de criança. Tudo muito lúdico, tudo muito encantador, tudo fascinante.

Hoje, mulher de 30 anos, casada, independente, percebo que no fundo, lá no fundo, meus pais tinham uma certa razão, e que a história que me contavam sobre as sardas passearem na calada da noite me parece perfeita, ao verificar o rosto do meu marido, com sardas, depois de casarmos [ele não tinha nenhuma quando o conheci]... Será realmente que elas andam quando acordamos de madrugada??

Eu queria um final perfeito. Hoje aprendi, da forma mais difícil, que alguns poemas não rimam e que algumas histórias não tem começo claro, um meio ou um fim. A vida não é saber, é ter de mudar, e é agarrar o momento e fazer dele o melhor, sem saber o que vai acontecer a seguir. Deliciosa ambigüidade.

7 comentários:

Maria Valéria disse...

lindo seu texto... principalmente o ultimo paragrafo...
quanto às sardas, confesso com toda a sinceridade que tenho uma pontinha de inveja, e que bem que gosaria de ter algumas enfeitando meu rosto...
beijos

Pat Ferret disse...

Nossa, AMEI a imagem das sardas passeando pelo seu corpo! Daria um excelente conto infantil!... Rsrsrsrs ;-)

Naninha disse...

Cada dia vejo mais minha mãe emmim...

Labelle® Paz disse...

Val,
Se é para confessar, confesso que ADORO minhas sardas !! Sem dúvidas, para mim e para os meus, são "o plus a mais"..rs

Labelle® Paz disse...

Ferret,
O conto infantil já foi publicado por uma pessoa muito especial para mim, e dedicado adivinha para quem? To me !! Levarei quando nos encontrarmos e te mostro.

Labelle® Paz disse...

Naninha, seja bem vinda !!!

disse...

Tão lindo.
Fiquei aqui encantada.
Beijocas.