segunda-feira, agosto 16, 2010

Microeconomia?...

Quando entrei no supermercado, pensei com meus botões, que viver é como andar por ali com a cestinha de compras, em busca dos bens essenciais à sobrevivência humana. Não só de água, refrigerante e biscoitos vive o homem. Queremos amor, queremos família, queremos trabalho, reconhecimento, mais amor, saídas perfeitas com os amigos, arte e diversão e, em muitos momentos, queremos apenas o silêncio.

Tal como as prateleiras onde ficam expostas as mercadorias, tudo o que queremos tem um preço. Preços altos, preços baixos, preços a serem pagos, e nem sempre na moeda corrente. Em alguns momentos, o desejo custa o preço de uma despedida. Precisamos nos despedir de algo que prezamos muito para conseguirmos um outro algo, que prezamos mais. Ou que necessitamos mais. E será sempre assim.

Há quem tenha largado a carreira e toda a rotina estabilizada para viver um grande amor na Austrália. Há quem tenha largado sei lá quantos anos de profissão solidificada para priorizar a saúde e o bem-estar na beira da praia. Há quem tenha que deixar o bebê na creche para se apresentar linda, bela e eficiente na reunião que marcaram às oito da manhã no escritório.

Quando aquela dor aguda de ter abandonado seu cantinho tão familiar visitar, pense no amor australiano que não pára de crescer. Valeu o preço pago. Quando a dúvida pairar sobre os seus neurônios, questionando a razão da radical mudança de estilo de vida, pense em como você sofreu com o estresse provocado pela rotina rock n'roll daquela empresa no ano passado, e olhe para o mar azul que enfeita a frente da lojinha que você acabou de inaugurar. Valeu o preço pago.

Quando no final do dia você chegar exausta do trabalho, louca para pegar seu bebê no colo e enchê-lo de beijos, e ele estiver dormindo o sono tranquilo e mais profundo, sem sequer dar aquele sorriso sem dentes que você tanto ama - pense nas contas no final do mês que precisam ser honradas, compensando as horas de ausência com outras tantas horas de presença intensa e colo de mãe - que é um só. Tudo terá valido muito à pena e o preço pago. Ele é quem te dirá isso daqui a trinta anos.

Assim como nos supermercados, tudo na vida tem um preço. Volta e meia pagamos com mudanças, volta e meia pagamos com despedidas. Sempre pagamos com decisões - umas muito bem pensadas e refletidas, outras nem tanto quanto gostaríamos.

No final da jornada, ao passarmos pelo caixa, a única moeda que não queremos de troco é a culpa. Para tanto, é necessário sacar da carteira a moeda certa para este pagamento. Amor se paga com amor. E, se o seu bem foi pago com amor, sensatez e bom-senso, relaxe. O troco virá na mesma moeda. Com certeza!

9 comentários:

Wolf34 disse...

Quando li esse post achei interessante aquilo de de que cada coisa que desejamos possui um preço, e nada vem fácil. No meu caso em especial, acredito que tudo na minha vida demora mais do que eu sempre imagino e espero, e dessa forma, me pergunto se esse é o meu preço a ser pago. E estou falando de tudo relacionado ao amor, trabalho e muitas outras coisas pequenas que acontecem todos os dias. Pelo jeito, existe mais de uma moeda de troca, e no final tudo vai depender da minha capacidade de lidar com cada uma. Pelo jeito ainda tenho muito o que aprender sobre essa troca de moedas.

Um Beijão

NiNah disse...

Que linda!
*-*
BjAs.

Kilson disse...

Adorei demais. Inclusive é uma coisa que tem estado nas minhas conversas diárias. Como o que eu tinha para comentar aqui ficaria muito extenso, tomei a liberdade de comentar no meu blog. Depois dê uma olhadinha. Abraços!

Albuq disse...

Oi Labelle!

Texto maravilhoso, perfeito!
Estava lendo e vendo que a cada dia fazemos nossas escolhas (compras), que no momento podem parecer difícil, como deixar o filho na creche, mas, tem um fim muito bom, uma finalidade de 'futuro melhor prá ele', mesmo que prá você seja doloroso.
Escolhas sábias, troco sábio...

Achei fantástico o texto!
bjs

Beth Blue disse...

O problema é quando muitos e muitos anos lá na frente a gente chega a conclusão que pagou um preço alto demais.

Aí fica aquele gosto amargo na boca e e vem um certo sentimento de culpa (por ter escolhido a mercadoria errada, que na época nos parecia tão ideal).

Sem falar que nem sempre compramos pela vida afora o que faz bem pra gente...Enfim, vivendo e aprendendo!

beijos

Cissa disse...

Lendo o teu texto e o comentário do Wolf, me faz ver que de certa forma eu sou só mais uma...
A ansiedade que a moeda da troca, chegue rápido e se ver o resultado do que fizemos, acaba atrabalhando o preço do que queremos...

Depois dos 25, mas antes do 40! disse...

Muito interessante o seu texto. Essa analogia que fez ficou muito sensata e nos faz refletir muito sobre o que pegaremos para colocar na nossa certa de supermercado da vida.

parabéns.

Beijos

Lilly disse...

Puxa vida, parece que você escreveu para mim. Quero acreditar que a gente recebe de volta mesmo pelas opções que fazemos, cobertas de boas intenções.

Às vezes a gente nem posta nossas dúvidas mas acaba recebendo assim de presente, quando a gente menos espera, uma mensagem bacana.

Obrigada, querida. Beijos!

Lilly disse...

Ah, acho que esqueci: passa lá no blog para pegar o selinho! :)