sábado, março 13, 2010

Obrigação?

Algumas regras que somos obrigadas a seguir.... na verdade não existem!

Quando estava na 7a série, eu e minhas amigas costumávamos discutir muito nas aulas de orientação educacional sobre a pressão que havia para fazermos determinadas coisas: tínhamos que nos vestir de uma certa maneira, gostar de algumas músicas, não gostar de outras... E tinha a pressão para ter um namorado.

Nós tínhamos entre 12 e 15 anos de idade e naquela época, ainda não era muito comum pensar em uma vida adulta que não "terminasse" em casamento. Era um pouco ousado dizer "eu não vou casar". O matrimônio com filhos era o certo, o natural. A opção de ser uma mulher solteira causava certa preocupação: "Será que ela tem algum problema?".

Ao mesmo tempo que queríamos ser adultas 'normais', com perspectivas bem quadradinhas, também desejávamos ser adolescentes moderninhas, rebeldes, que desafiavam todas as regras. A pressão para namorar se revestia, então, deste duplo significado: por um lado era o primeiro passo para a vida 'normal' no futuro; por outro, era um passeio pelo aspecto 'selvagem' da adolescência. Por um motivo ou por outro, era uma obrigação - não deixava de ser.

Nas rodinhas, as meninas perguntavam: "E aí, você já ficou?". Se a maioria dissesse que sim, ficava muito difícil dizer que essa ainda era uma experiência inédita para você. Algumas amigas minhas sofreram muitas cobranças e só admitiram depois de muita pressão que nunca havia acontecido. Eu fui precoce, e aos 12 anos aconteceu muito naturalmente meu primeiro beijo. Eu só não admitia porque meu pai era extremamente zeloso e ciumento, trabalhava no colégio, e para evitar problemas, preferi ficar quieta a dividir com as amigas.

Um belo dia, não sei como, caiu a ficha: por que eu tinha de me importar com a opinião das outras pessoas? Se eu já tinha ficado ou não, que diferença faria para elas? E, pensando bem, eu gostava muito mais de sair com um grupo grande de amigos, com quem eu adorava conversar e dar risadas, do que da idéia de sair com um menino para ficar namorando, falando baixinho e andando de mãos dadas. Aos 12 anos eu ainda era muito infantil e gostava mais de reunir os amigos para jogar queimado na rua, brincar de polícia e ladrão, do que de salada mista.

Além disso, se eu não estivesse mesmo a fim de alguém, como eu conseguiria pensar em namorar? Só poderia me imaginar namorando, e futuramente casando, se já tivesse um menino com quem eu sonhasse juntar as escovas de dente.

Sem esse pequeno ingrediente fundamental, a idéia de casamento se tornava uma especulação inútil. Assim, sem maiores preocupações como as minhas amigas de turma, finalmente admiti na aula de orientação educacional: "Não sei se vou casar. Vai depender se eu gostar de alguém". Eu hein... Que pressão sem pé nem cabeça aos 12 anos!

A liberdade que ganhei neste dia foi incrível! Não precisava casar, ter namorado ou ficar procurando um bom partido. Se me apaixonasse [e me apaixonei tantas vezes!] o desafio era ser correspondida. Se não, podia continuar fazendo todas as minhas coisas - jogar meu vôlei, viajar, conversar - sem a encanação de ter que cumprir a tarefa de encontrar um par.

Mesmo depois, bem depois da adolescência, quantas vezes na vida a gente sofre para tentar cumprir uma expectativa que não é nossa? Para seguir uma regra que, pensando bem, nunca existiu? Para não sucumbir a uma pressão que nunca nos atingiria se nós mesmas não a incorporássemos?

Até hoje, algumas meninas e mulheres não conseguem ser felizes porque acham que precisam gostar de alguém, ou cumprir alguma tarefa que uma força difusa lhes impõe. Pare e pense bem se é o seu caso: às vezes, o mais difícil é se livrar de uma obrigação que não existe!

10 comentários:

Maria Valéria disse...

AMEI, amiga!!!
Me identifico muito com esse texto, pq sempre fui meio " fora do padrão". Demorei a " ficar"( primeira vez 2 semanas antes de fazer 19 anos,rs), o primeiro namorado só aos 24 anos, e o primeiro e único namorado sério( =com planos de casamento) aos 25 anos( e acabou não dando certo)...
Por muito tempo quis seguir essas " regrinhas " impostas pela sociedade e me frustrava muito.
Acordei só no ano passado
.Me cansam comentários do tipo " vc AINDA não casou", como se casar fosse uma obrigação. Pera aí, e se eu nunca casar???
De 1 ano pra cá, mudei muito. Tenho aprendido que as vezes viver historias e coisas" não convencionais", podem ser infinitamente melhores do que " casar", e não falo pelo sentido pejorativo não, é pq realmente não apareceu uma pessoa com quem eu queira casar. Se um dia aparecer, ok, se não, tbem ok.
Nem sempre aquilo que é o " convencional" é o indicado e o melhor pra vc , é esse o momento que estou vivendo e estou feliz assim.
( Se vc ler meu blog inteiro de 2009 pra cá, vai ler nas entrelinhas o que estou querendo dizer...alias tem uns 10 posts falando sobre essas coisas...rsrsrsr tomo ate cuiddo pra não ficar repetitivo...)
Adorei mesmo.Queria trocar mais ideias contigo;)
beijos!!!

Luciana disse...

Lindo texto! E concordo 100% com ele. Quantas pessoas casam sem amor, têm filhos sem vocação para a maternidade, se formam em uma profissão que não escolheram? Muitas vezes confundimos o que é nosso desejo e o que é a pressão alheia, às vezes não sabemos diferenciar um do outro, mas ter essa consciência já é o primeiro passo.

Labelle® Paz disse...

Pois é, Val!
Podemos conversar quando você quiser!
[você sabe disso!]
Beijão e obrigada!

Labelle® Paz disse...

Lu-lu, bom te ver por aqui!
Concordo com você, e acho que o 'problema' é que muitas pessoas têm consciência sim, mas não dão o primeiro passo para serem mais felizes.... Por quê será?
Um beijão!

Beth Blue disse...

Adorei o texto...sabedoria pura! E sim, a gente tem de prestar (muita) atenção pra não passar a vida inteira se cobrando coisas que na verdade a gente nem quer tanto assim!!!

Nunca devemos tomar decisões importantes - aquelas coisas que apenas dizem respeito a nós e a ninguém mais - com base em cobranças externas...

O melhor da estória é que quanto mais os anos passam, mais óbvio isso se torna ;-)

beijos transatlânticos...

Labelle® Paz disse...

" O melhor da estória é que quanto mais os anos passam, mais óbvio isso se torna .."

E até as coisas começarem a clarear, há muito sofrimento diante de tantas cobranças que nos fazemos diariamente. Por isso, hoje eu comemoro a vida que escolhi para mim! Beijocas do lado de cá!

Wolf34 disse...

Parabéns pelo texto Labelle, muito bem colocado em todos os pontos.

Abs!!!

photographie disse...

Que incrível você ter se dado conta disso tão cedo! Para mim demorou muito, muito mais... a verdade é que ainda não me livrei de todos os grilhões impostos por essa força estranha: a crise do momento reflete bem isso - ter ou não ter filhos, eis a questão!

morgana disse...

Gostei muito de seu texto!!!!!!!
Acredito que precisamos ser nós mesmas!!!! O que não é fácil.

tania disse...

Jupis, saudade de te ler. Aproveitando o feriadão pra me colocar em dia com as leituras dos blogs, inclusive do teu. E aí vejo que não havia lido este post ainda. Nem preciso dizer que concordo, né?
Beijo