O que dizem por aí é que toda mulher é um bicho complicado. De uns tempos pra cá, o dizem ainda com mais propriedade - já que a ciência se encarregou de gastar um certo tempo em projetos que estudam as informações cromossomiais que cada uma de nós traz dentro do nosso corpitcho. Conclusão que se chegou: as mulheres são geneticamente mais complicadas que os homens. Aff... O que os cientistas querem dizer com isso? Não sei, não sei mesmo, confesso. Mas posso dar um chute [apesar de que hoje, definitivamente, não é dia para falar de chute depois da eliminação da seleção brasileira na copa].
Chutaria que sentir aquele aperto no peito que denuncia que algo está errado, quando, no entanto, tudo parece estar perfeitamente certo é "ser complicada". Então, desencucamos até a próxima encucada (sensação também conhecida por aí como paranóia).

"Ser complicada" é explodir [sem querer] com quem está ao seu lado, talvez por não saber exatamente como lidar com aquele mau-humor que te acompanhou na última manhã. Até reconhecer que todo esse comportamento 'complicado' se trata de um descompasso hormonal, a bola [jabulani?] já foi para fora da linha de campo e nós que fazemos parte do time ficamos lá, na tentativa de fazer a bola voltar para o jogo e tentando explicar para o time todo o por quê do chutão sem propósito algum.
"Ser complicada" é trabalhar das sete da manhã às quatro da tarde, sair para a academia logo depois, ir para casa por volta das sete da noite e, neste meio tempo, encontrar umas horinhas para dar um aperto no marido, levar e pegar filhos na escola, ir ao salão para fazer as unhas, cabelo e depilação, fazer as compras de supermercado semanalmente, aparecer linda e gostosa, leve e perfumada para um jantarzinho romântico, além de se concentrar em toda a atmosfera de sedução, sem gastar os neurônios com a pauta daquela reunião que participará no escritório na manhã seguinte.
"Ser complicada" é fazer tudo isso achando maravilhoso [que sucesso!], mas, ao mesmo tempo, é achar que a mulherada talvez tenha pegado pesado demais nas conquistas realizadas nos últimos anos: ô acúmulo de atividades da p•rra! ["Ser complicada" é concordar com esta última afirmação até, mas não sair por aí assumindo que concorda - afinal, depois de tantos avanços feministas, este discurso
Amélia pós-moderno não pegaria bem).
É complicado ter coerência o tempo inteiro. É complicado ter que ser gata, inteligente, bem sucedida, amante insaciável, companheira, determinada, independente e segura: na família e no trabalho. É complicado ser isso tudo ao mesmo tempo, e ainda ser mulher, ser mãe, emanar amor e afeto incondicionais, e ser a melhor na carreira que escolheu. Com certeza não foi previsto lá atrás, que seria tão complicado ser mulher nos dias de hoje. O fato é que é complicado sim. E pronto, disso sabemos.

Faltou a tal pesquisa científica dizer que somos complicadas sim, mas que sabemos descomplicar como ninguém - quando queremos, claro. Talvez assim, entederemos o por quê de 'desopilar' ser um dos verbos mais conjugados.
Não é modismo new age que explica o incenso, a música relaxante e a ioga: é a necessidade atual. Necessidade de equilíbrio na corda-bamba, munidas de sombrinha, tailleur e salto alto com bico fino. E ainda tem a pasta com o notebook! Ahhh, e o celular que acabou de tocar + o caçula dos dois filhos no colo.
Equilibristas como as mulheres atuais... Sei não, mas acredito que ainda estão para existir. E os bêbados que se cuidem, que fiquem atentos e espertos, porque estão prestes, prestes, a serem excluídos da música. O futuro que se aproxima tem homens e mulheres se cobrando 24h/dia e com expectativas a serem supridas idem, se equilibrando juntos na corda-bamba diária. Se assim for, não dou muito tempo para aparecer outra pesquisa científica anunciando o que já sabemos: homens, pasmem, são tão geneticamente complicados quanto nós, mulheres. E isso é fato!