quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Perto demais...

Todas as semanas, independente da quantidade de trabalho ou de qualquer outro motivo, escolhemos um dia e vamos ao cinema. Geralmente, nas noites de quartas... Hoje, depois de um dia exaustivo, decidi pegar dois filmes na locadora e assistir em casa, largada na minha cama. Peguei dois filmes que já tinha assistido no cinema, mas que gostaria muito de rever.

Fui na pré-estréia de Closer, com meu luv e alguns amigos. Confesso que o filme mexeu com cada um de forma diferente. Acho que depende muito da fase que cada casal está vivendo quando o assiste e por isso as conclusões foram bem distintas. Na época, achei muito interessante, mas não fiquei pensando muito a respeito. Hoje minha visão foi outra.

Lembrei imediatamente de um poema que eu li há alguns dias e que me persegue desde então. Nesse poema, que sequer lembro o nome, tem um verso que diz: " Nenhuma pessoa é lugar de repouso".

Imediatamente, percebi o quanto esse verso era perfeito para a história que eu estava revendo, onde quatro personagens relacionam-se entre si e nunca se satisfazem, seguindo sempre em busca de alguma coisa, que não sabem exatamente o que é. Não interagem com outras pessoas ou com as questões banais da vida. É uma viagem interna que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que de certa forma, é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Imagino, que certamente assinariam embaixo do verso que me persegue volta e meia.

Apesar dos diálogos divertidos e interessantes, é um filme seco, e posso dizer que bem triste. Uma visão microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um leque enorme de opções sexuais e total descompromisso com a eternidade - nada foi feito para durar. Quem não estiver feliz, faz as malas, e sai batendo a porta ou não. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraiso, mas o fato é que assim que o filme acabou, senti um gosto amargo na boca.

Com o tempo e com a vida, amadurecemos, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos mais tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar alguém, que sozinho, consiga corresponder todas as nossas expectativas - sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o "sistema" de rodízio e aproveitam a vida da forma que julgam ser mais prazerosa. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, certo?

O problema é que ninguém é maduro o suficiente, a ponto de abrir mão de toda a inocência que lhe restou. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Atualmente, o que mais vemos e ouvimos são os contos de foda, mas mesmo assim, sou mais romântica do que cética.

A vida lá fora flerta descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo: "leve dois, três, e pague um"... Também parece tentadora a idéia de contrariar aquele verso que me persegue (e já citei anteriormente) e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir o marasmo de um relacionamento que já não é mais apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você... Já nao é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, em brigas ou discussões... Os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se incomode com isso?

Relacionamentos mais longos conseguem atravessar a fronteira do que é estranho, um vira "casa" do outro. A amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de aventuras. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza do que sentimos por alguém. Medimos a grandeza desse sentimento diante das atitudes diárias e do que aquilo tudo representa.

Sentar junto dele, de frente para a lua, quando há lua, ou de frente para a chuva, quando há chuva, e brindarem com as taças novas, contendo vinho, café, ou água... Já ouvi falarem que isso sim é paz. Vejo mais como uma relação calma entre duas pessoas que sem se preocuparem em ser modernas ou eternas, fizeram uma da outra, seu lugar de repouso. Se escolheram e de repente, tem é preguiça de voltar à ativa. Muitas vezes é isso mesmo. Mas vai saber, pode ser amor de verdade.

4 comentários:

Beth Pinheiro disse...

pois eu sou mais cética do que romântica, rsrsrs (e nem gostei tanto assim de Closer). como as pessoas têm visões diferentes do amor, né!!! vou escrever sobre isso no meu blog.

Beth Pinheiro disse...

pois eu sou mais cética do que romântica, rsrsrs (e nem gostei tanto assim de Closer). como as pessoas têm visões diferentes do amor, né!!! vou escrever sobre isso no meu blog.

vanvan disse...

como toda mulher de 30 anos, tenho fases!!

tem horas que sou cética, tem horas que sou romântica!

hoje não posso dizer!

Nei Duclós disse...

O verso citado é do meu poema Salvação, publicado no livro Outubro em 1975. Diz o poema:Estar a salvo não é se salvar/ como um navegador que vai até onde dá/ você tem que ser livre para o que pintar/ Nenhuma pessoa é lugar de repouso/ juntos chegaremos lá.