terça-feira, junho 01, 2010

A tal da ansiedade...

Hoje tive uma experiência muito válida de confrontação de mim, comigo mesma. Através de um daqueles questionários que insistem em nos enviar por email, uma característica que me é muito marcante saltou aos meus olhos [novamente] e veio dizer algo que até pouco tempo atrás, era novidade: um dos meus maiores males atende pelo nome de ansiedade! Um de meus maiores males? Tá, tá ok, confesso. Não é mal meu, não é único, nem é exclusivo, ou personalíssimo, nem adquirido por cem moedas através de escritura de compra e venda passada em cartório. Tá, tá ok, confesso de novo: é mal meu e de mais da metade da humanidade (sim, porque quem não é ansioso ou é zen demais ou já morreu).

Verdade é que a ansiedade aflige a todos nós que temos um amor, um trabalho, um desejo. Todos nós que temos uma viagem programada, um prazo a cumprir, expectativas a suprir, um casamento recente, uma vida pela frente. Roemos todas as unhas, balançamos as pernas insistentemente, cutucamos as orelhas, coçamos a cabeça. De novo, e de novo. É ela. A tal da ansiedade que não nos deixa relaxar, mastigar, respirar, entender.

Entender e absorver que não adiantará falar aceleradamente, que não, isso não cumprirá o tal prazo. Que roer todas as unhas do seu corpo não trará o homem amado de volta. Que simplesmente "passar os olhos" em tudo o que passa pelas suas mãos, [porque você já está com a cabeça ocupada com a outra tarefa que terá que implementar em seguida] pode significar uma segunda leitura, desta vez mais acurada e mais demorada, ou seja, trabalho dobrado - o famoso 're-trabalho'.

Lemos tanto sobre terapias relax transcendentais. Acendemos incensos pela casa inteira. Escutamos músicas beeeem tranquilas. Verbalizamos o quanto não é interessante se estressar, se aborrecer, se consumir, não ver a vida passar com tranquilidade. Mas verbos à parte, nossa postura ansiosa esganada do dia-a-dia nos trai. Trai nosso próprio discurso [sempre]. Talvez a técnica do "respirar fundo e contar até vinte" antes de surtar, seja eficaz para uns. Talvez a técnica de contar os leões (um leão por vez, ou elefante, ou o bicho que você tenha predileção para "matar" por dia) também funcione.

Temos a auto-crítica, temos as leituras zen, temos os incensos, as músicass, as técnicas, os conselhos. O que será que nos falta para adotar um postura menos ansiosa, imediatista e afobada no nosso dia-a-dia? Inteligência? Não, não acredito. Acredito que achamos 'um quê' de graça nessa nossa busca pelo auto-conhecimento. Afinal, depois disso, virá o quê?

Um comentário:

Wolf34 disse...

A tal da ansiedade, essa coisa silenciosa dentro do peito. Acredito que não exista uma só criatura nesse planeta que já não tenha experimentado essa sensação. A verdade é que não estamos livres dela, e acho que nunca estaremos. A questão é saber como controlar esse sentimento, e principalmente deixar que ele nos façam cometer erros e deslises. Muitas brigas e problemas começam apenas por pura ansiedade. Não vejo cura e em incensos, leituras e coisas do gênero. Ainda acredito que a melhor opção é a de saber controlá-la, e quem sabe conversar, com amigos, ou com quem quer que seja. Nada melhor do que uma conversa esclarecedora: "Cara, estou ansioso". Quem sabe isso possa evitar coisas ruins para nós e para os outros.


Beijão.


Lobo.