sexta-feira, junho 11, 2010

Cadeia Neles...

A primeira vez que tive contato com a expressão "sequestro emocional" foi há um tempo, assistindo uma entrevista na televisão paga. Lembro-me que, na época, o assunto me despertou muita curiosidade e me pus a perceber situações onde o tema personificava-se.

... Pessoas que, utilizando-se alguns mecanismos de manipulação, estão sempre por perto detonando a vida de alguém, que não consegue se liberar da criatura em questão. Num primeiro momento, pensei tratar-se da tal chantagem emocional, técnica horrorosa que certas pessoas usam para atingirem seus objetivos através do constrangimento e do plantio de algo não menos horroroso - a culpa. Parece que todos temos dias de carentes profissionais e maiores abandonados, o que não é crime algum. É só chatice passageira. Mas aqui, o crime é outro.

Sequestrador emocional dos bons é aquele que se diz seu amigo [alguns fazem questão de martelar isso zilhões de vezes para quem quiser ouvir] mas que vive arrumando um jeitinho persuasivo de plantar uma dúvida infeliz na sua cabeça, e vive te relembrando uma derrota que você mesmo já se esqueceu. Ele é agressivo e até meio grosseiro nas palavras, meio estraga-prazeres, mas sempre afirma "ser muito sincero". É aquele tipo que se esquece de você quando tudo está muito bem, mas não perde a oportunidade de se dizer seu "conselheiro" quando tudo vai mal, sempre com aquelas teorias de divã prontas, que se encaixam ou não com o momento. Com seus conselhos e tanta disponibilidade, ele faz você pensar que é necessário, que se preocupa contigo, que é parceiro, mas lá no fundinho tem um quê de invejoso [e de destrutivo]. Parece que se alimenta e cresce mais ainda com a derrota alheia, talvez porque ele próprio e tudo na sua vida sejam isso: uma derrota. Quando você se esquece da existência do infeliz, toca o telefone e é ele, querendo, mais uma vez, detonar sua paz.

Você enxerga e sabe que a postura desse seu amigo te incomoda. Enxerga e sabe mesmo que nem seu amigo o coitado é de verdade. Mas você engole todos os sapos e engorda [sim, os sapos também engordam]. E sabe-se-lá o por quê, não consegue dar o fora no sujeito, de tão seqüestrado que está. Acaba optando por tolerar esta presença seca-pimenteira-disfarçada-versão-2010 no seu dia-a-dia.

Vergonha? Pena? Política da boa vizinhança? Falta de jeito para falar umas verdades? Talvez. E a culpa não é sua de não conseguir se desvencilhar desse tipo de gente. Eles não abrem brechas, não dão folga, não dão chance ao descarte - estão sempre muito atentos. Mesmo assim, o que me deixa mais leve, é que eles não são para sempre. Uma vez descoberto o porquê de mantermos pessoas assim na nossa rotina, mais fácil o afastamento.

Vale meditar sobre o dia em que este incômodo causado pelo sequestrador for maior que a sua boa vontade em permitir que ele ainda participe de sua vida. Neste dia, lembre-se de se livrar deste encosto, do seu jeito: seja dando um fora, seja desaparecendo, seja não atendendo mais suas ligações, seja na sutileza, seja falando, seja escrevendo, seja sumindo do mapa em que ele está. Vale tudo, contanto que o desabafo saia da garganta. Sejam gestos, sejam palavras, não interessa. Interessa que o maneira escolhida seja eficaz para demonstrar sua insatisfação e para infomar a ordem de despejo a estes seres pequenos que rastejam ao redor do seu jardim. Fora. Cadeia neles.

Para todos os seqüestradores emocionais a cadeia é liberdade: a cadeia é todo o mundo lá fora. O mundo fora de nossas vidas.

5 comentários:

NiNah disse...

Amiga nada do que o tempo pra nos livrar desse tipo de gente, né?!
Enfim, bom não.
Beijas

Labelle® Paz disse...

Tô aprendendo, Ninah... Tô aprendendo...

O problema é quando essas pessoas não podem sair das nossas vidas com facilidade [trabalham com a gente, ou moram na casa do lado, etc, etc, etc............]

... mas tô aprendendo bravamente!

Maria Valéria disse...

eu tive uma amiga assim, sempre relembrando os meus fracassos ou me dimuninuido, mas pondo pra baixo na frente dos outros. Quando me dei conta e chutei o pau da barraca, a coisa ficou feia. Dois anos depois ela veio pedir desculpas e dizer que me admirava muito.tentei até reatar a amizade, mas não rolou.Sabe quando aquelas pelavras " te admiro muito" soam falso? pois foi isso que aconteceu. Se ela relamente me achava especial, perdeu as oportunidades que tinha de demonstrar. beijão

Alisson Almeida disse...

Sem palavras pro seu texto, engraçado como existem de fato esses "sequestradores" emocionais.
Preciso descobrir uma maneira de tirá-los do meu caminho.
Parabéns pelo Bloger linda .

Abração

Labelle® Paz disse...

Seja bem vindo, Alisson! Obrigada pela visita!