quinta-feira, agosto 02, 2007

Perdas e Ganhos...

Apesar de morar praticamente sozinha, minha geladeira vive cheia. Alguns produtos são consumidos no mesmo dia da compra. Outros, são consumidos parcialmente, mas acabam estragando por um motivo ou por outro. E por fim, tem produtos que vão do mercado para minha geladeira e dela para o lixo sem nenhuma escala - eu simplesmente esqueço que existem e estão à minha disposição.

O padrão da geladeira se repete no armário em que guardo minhas roupas, bolsas e sapatos. Geralmente possuem o mesmo destino: alguns são usados até a exaustão, outros eu uso uma vez e esqueço que os tenho, e de outros ainda, esqueço completamente. 

Enquanto isso, abro o armário e me sinto culpada… Minha conta bancária não está vermelha ( não é o caso) mas me preocupo com o fato de comprar coisas que nem sempre são necessárias neste ou naquele momento.

Percebi que me faltam alguns limites. De uns anos para cá fiquei assim e não consegui mais programar nada a longo prazo. Por mais que eu programe a minha semana, acabo não cumprindo com mais da metade do que constava na minha agenda.

Não estou conseguindo me organizar como antes. Isso reflete na minha casa, na minha aparência e obviamente na minha saúde.

Vou ao mercado e, imaginando que consumirei tudo aquilo, faço compras que muitas famílias não fazem, para uma semana. Sem mencionar outros padrões destrutivos, financeiramente e fisicamente, como almoçar e jantar fora com freqüência (com a despensa e a geladeira repletas de produtos, que eu julgava indispensáveis para a minha sobrevivência naquela semana).

Já aconteceu de no final do mês, constatar que pelo menos quatro vezes por semana, almocei ou jantei em restaurantes carésimos - que as pessoas normais costumam freqüentar em ocasiões especiais. A falta de limites tem me agendado uma dor de cabeça mensal, que é a freqüência com que lido com os efeitos da fatura do cartão de crédito. Acredito que a pior coisa de não ter limites é perceber que as “conquistas” acabam sub-aproveitadas. Isso é ruim. Ruim demais.

Quando fulano não tem limite, não consegue curtir tudo o que conquistou. Fulano não valoriza o que conquistou após trabalhar um mês inteiro para receber aquilo ali. Não consegue saborear a promoção que recebeu da chefia, o aumento de salário, a conquista de um cargo importante...

Decidi fazer um balanço do mês que passou. Somei tudo, diminuí tudo, cheguei a um saldo. Fiz uma planilha. Apesar dos pesares, tenho esperança de contornar os problemas que, inconscientemente, me deixaram fora do ar nos últimos anos. Saí da linha, mas tenho sorte por constatar que sem abusos as coisas não só voltarão a ser como antes, como também atingirei um objetivo importante no final do ano.

Pela primeira vez de um tempinho para cá, me imponho limites sérios. Fixei um valor semanal que me permito gastar como quiser e com o que eu quiser. Não cheguei a sacar o dinheiro, mas somei todos os canhotos do cartão, para não ultrapassar o limite. 

Com essa quantia, tenho que comer, me divertir, me deslocar para o trabalho e para casa, enfim…

Hoje, somando os canhotos do cartão, percebi que acabou o dinheiro da semana com uma saída de última hora para encontrar uns amigos. Em casa, abri a geladeira e descobri leite, cebola e queijo ralado, que viraram o melhor creme de cebola dos últimos tempos, incluindo os que comi em alguns restaurantes.

Minha missão até o final da semana, é sobreviver com o que tenho, gastando tudo o que acumulei em casa ( e não estragou). O clima será esse até dezembro, data marcada para um dos meus sonhos se concretizar. Estou conseguindo.

Meus limites, ou pelo menos alguns deles, estão sendo respeitados, por mim pela primeira vez em muito tempo. A sensação de tranquilidade que isso causa passa longe da idéia de privação. É tranquilidade por estar equilibrada e, ao mesmo tempo, feliz por todas as coisas que conquistarei a partir de agora.

4 comentários:

Anônimo disse...

Oi Belle, eu sou a Bella. Vi seu nome na lista da blogagem sobre amamentação, da Denise.

Vc está nos 30 e eu nos 40 e seus posts parecem ter sido pensados por mim. Esse último so eu, sem tirar nem por! Que curioso!

Li os demais dessa primeira página e me lembrei de quando morava sozinha.

Vou voltar mais vezes pra continuar lendo.

tchau,

http://www.temquemgoste.wordpress.com

A Dona do Bloguinho disse...

Oi.
Cheguei aqui pela Isabella, do Tem que Gostem que deixou um comentário aí em cima.
Pôxa, como me identifiquei com este post especificamente (não que saia quatro vezes por semana para comer fora), mas no geral.
E é a mesma fase de repensar as coisas e ficar disciplinada para um objetivo maior.
Ajudou e muito no processo. :)
Bjs

Pat Gama-Rosa disse...

Esse post me lembrou assim que comecei a morar sozinha. Exatamente pelo fato de estragar que não compro mais pão pois não tenho o consumo necessário pra comprar um saco de pão de forma. Porre!

Tania disse...

Oi linda, que saudade de você. Adorei ler seus textos. Como é que eu não sabia que você tinha blog, menina?!! Não sabia ou não lembrava? Sei lá, ando tão gagá.
Voltei agora de Amsterdam e foi Beth quem me falou do seu blog. Achei pelo dela. Muito bom, mesmo. Sabes que sou sincera. Gostei especialmente deste texto sobre limites quanto a tudo, e quanto a dinheiro em particular. Me identifiquei pra caramba. Já cansei de sair pra comprar quando estava carente ou solitária e não tinha amigos nesta cidade. Andava andava e entrava em loja mais pra bater papo do que por outra coisa. Acabava comprando porque me sentia na obrigação, por haver alugado a vendedora. Maluquice. Depois, fiquei viciada em certas coisas. Vestidos, primeiro. Depois, sapatos. Mais tarde, perfumes. Tenho três gavetas cheias de perfumes, mas hoje só compro o que acho especialíssimo. Até com sabonete sou exigente. Mudei. Mas ainda estou longe do autocontrole que desejo. "Disciplina é liberdade...". Foi o Renato Russo quem falou.
Beijão da Tania, de Natal