quinta-feira, janeiro 25, 2007

Que atire a primeira pedra que estiver pela frente!

Em meio àquela minha faxina de final de ano/início de ano novo, encontrei um monte de coisas que fizeram parte da minha vida, que nem fazem mais e talvez, nem farão... Sentada no chão no meio das caixas, encontrei fotos, anotações, bilhetes, e aquilo tudo me fez voltar ao tempo, recordar e perceber muitas lembranças que vêm à tona diante daquele material todo guardado... Será que vai ser a mesma lembrança se eu me desfizer de tudo aquilo e ficar apenas com a cabeça cheia de memórias da minha adolescência?

Provavelmente todo mundo já traçou um paralelo com o que pensava naquela época e o que pensa agora, com o que planejava naquela época e o que efetivamente aconteceu de lá prá cá? Que atire a primeira pedra! (ou que atire a primeira agenda, daquelas bem pesadas, cheias de fotos, papéis de balas, segredos e códigos...).

Geralmente, aos quinze anos, toda adolescente que se preze, questiona a sociedade, o governo, a família, a sua sombra... afinal o negócio é questionar o que for, e dar sua opinião, sempre tão valiosa aos olhos dos amigos, e adolescentes cheios de razão. É a fase das convicções. Pelo menos as que eles acreditam...

A convicção dos quinze anos é muito forte! "Vou ser isso daqui a tanto tempo, vou fazer aquilo, nada vai me parar!" Tudo é tão pra ontem, o imediatismo lateja, o sofrimento toma proporções exageradas. Sempre gordas demais ou magras demais, sofríamos demais, chorávamos e ríamos com a mesma freqüência - podendo as duas ações acontecer ao mesmo tempo até - sem falar nas dúvidas quanto à profissão a ser escolhida, sobre casamento, sobre a roupa que vestir. Imagina, escolher o que fazer para o resto da vida na instabilidade emocional dos meus quinze, dezesseis, dezessete anos!

Enxergamos as meninas de quinze que fomos nas adolescentes de hoje, com as variações da época, claro. Conheci meus enteados no auge da adolescência... Um com 14 e outro com 12 anos... Independente da época que estamos vivendo, os traços peculiares da idade, como o exagero, a descoberta, o olhar absoluto, estão e sempre estarão presentes num menino de quinze ("menino" - Achávamos ou não achávamos que éramos mulheres prontas aos 15 anos?) Dez anos depois, ainda é igual.

É inevitável não se sentir confortável na casa de seus vinte e cinco anos ao topar com a ansiedade e o medo de passar no vestibular, de perder a virgindade com o namoradinho do colégio, e poder suspirar aliviada por saber que isso te incomodou um dia mas virou fumaça. Achar graça por conseguir hoje enxergar que todo o turbilhão de emoções e de idéias passa. Passa para dar lugar a outro turbilhão de emoção e idéias, ainda bem!!

Ao conversar com uma menina de quinze anos a gente enxerga que os problemas mais sérios na vida dela hoje, a gente também teve. Também achou que o mundo ia acabar porque tinha levado um mega esporro em casa e ficou um mês sem sair ou porque levou uma rasteira daquela que você considerava sua melhor amiga, que ao final, você agradece à vida por ter tirado a infeliz invejosa do seu caminho.

As dúvidas lá dos nossos quinze anos, foram substituídas por outras, nos dando uma imensa tranquilidade pois, se os problemas e dúvidas dos quinze se foram, (oba!!!) os problemas e dúvidas dos vinte cinco já já, arrumam a mala pra partir das nossas cabeças, dando lugar aos questionamentos dos 35, muito provavelmente... Graças a Deus, alguns dirão, afinal, gente é pra crescer e aprender com os problemas do dia a dia.

Crescemos sim. Uns de forma mais dolorosa, outros de forma mais branda... Cada um teve seu processo e, hoje, inaugura outros novos. É bom saber que passados esses dez anos, a gente começa a enxergar que nada é pra ontem, ninguém nesse mundo nasceu sob o manto da perfeição, tudo se torna mais relativo, mais flexível, as preocupações são outras e as nossas escolhas, feitas lá na adolescência ou nos vinte e poucos anos acabam fazendo parte do que somos, do que aprendemos a chamar de vida, de identidade, e se foram certas ou erradas, só o balanço dos próximos anos irá nos dizer. Cá entre nós, confesso que ainda me pego rindo e chorando, chorando e sorrindo, tudo ao mesmo tempo. Ainda e agora.

Um comentário:

Beth Pinheiro disse...

legal este texto, mas espere até chegar aos 40 anos, hehehe. aí sim é que suas convicções mudam mesmo!

a verdade é que a vida é uma constante mudança (para uns mais do que para outros) e nós mudamos o tempo todo.