terça-feira, janeiro 09, 2007

Escrever, escrever, escrever, ou pirar?...

Com essa frase eu começava minhas narrativas na adolescência. Amava escrever e ler... Comecei com uns oito anos e continuei por muitos outros...

Escrevia na agenda, aquelas mesmo, de adolescentes, coloridas, que ficam lotadas de bilhetes dos namoradinhos, fotografias, papéis de bala, ingressos de show e tudo, tudo em códigos que só eu decifrava....

Escrevia a respeito do que estava sentindo, como estava sentindo, se estava sentindo algo sobre alguma coisa que estivesse fazendo parte da minha vida.

Hoje, praticamente vinte anos depois, a frase ainda me serve bem. Preciso escrever para não pirar... Preciso escrever para tentar administrar meus sentimentos, tudo o que eu penso e me atropela, para que não fiquem perdidos na minha cabeça sem destino.

Ao colocar o que sinto e o que penso no papel (seja ele celulose ou cristal líquido), a cabeça e o coração ficam mais leves. Disso eu tenho certeza, e com a experiência do blog, me surpreendo a cada dia...

É mais fácil organizar o que se passa dentro da gente quando verbalizamos. Só que palavras o vento leva... Verbalizar, nada mais é do que palavras ao vento. Às vezes, escrever se revela uma tática mais eficaz.

Escrevemos sobre o que nos agrada, para lembrarmos mais tarde e dar um sorriso ( ou não).

Escrevemos também sobre o que nos aflige, fazendo a conhecida terapia do papel, que funciona. Funciona mesmo...

É como se extirpássemos os problemas, arrancando-os do nosso cérebro e, uma vez colocados no papel, ficam ali, na nossa frente, olhando pra gente... A gente olhando pra eles, de fora, quase que como terceiros imparciais, quase que perguntando para os problemas:

-- "Qualé, mermão? Qualé a sua? Tá a fim de complicar mais a minha vida?"

Só que ele não responde. Ele não responde qual é a dele... Isso é exercício pra gente fazer, em qualquer lugar, em casa, na rua, no trabalho, onde for...

É um exercício de constatação do que nos incomoda no momento. Uma vez constatada qual é a pedra no sapato, o exercício se transforma e passa para uma segunda etapa: a de nos tornarmos adultos, e corajosos, seguros o suficiente para enfiarmos o dedo no sapato e arrancarmos esta pedra que nos impede de caminhar sorrindo, com satisfação. Não é fácil... Não vem sendo fácil... Eu pensei que fosse mais fácil...

Falar é bem mais fácil. Constatar em qual canto do sapato se aloja essa pedrinha impertinente também pode não ser tão difícil assim... Difícil mesmo é a parte que exige coragem, atitude, coisa que até então eu achava que tinha sobrando e doava para os amigos e para quem mais quisesse. Mas eu tinha... Tinha não, tenho... Cadê? Quero achar!!!

Se acharem minha força de vontade, minha coragem, minha atitude, rastejando por aí, por favor, recolham-nas e me devolvam. Por encomenda, sinal de fumaça, sedex, não importa... O que importa é que me devolvam se encontrarem porque preciso delas com certa urgência...

Desde já agradeço, La Belle®

Um comentário:

Isabella disse...

que curioso, Belle, tb sempre gostei de ler e de escrever. Sempre tive agendas e hoje tenho meu blog. Aprendi a falar o que penso tb, com cuidado. Mas escrever é muito bom mesmo!