sábado, abril 07, 2007

Inquietudes...

Não consigo ficar parada muito tempo, e também não sei comer comida fria. Prefiro queimar minha língua com a comida quente, do que ficar vendo o tempo passar. Não sei (nem gosto) de esperar por algo que eu posso resolver, mas não consigo. Porque na verdade, eu gosto tanto de novidades quanto gosto de feijão com arroz e batata frita.

No meu caso, essa ansiedade combina perfeitamente com a minha indecisão. Eu fico sem saber o que vou fazer daqui a pouco e menos ainda o que farei amanhã. Talvez eu prefira deixar o amanhã para amanhã e prefira viver meu presente, pelo menos por enquanto. Mas e depois? Eu não aprendi a viver sem pesar, sem pensar, sem ponderar, sem ansiar e sem atropelar. Por um lado isso é muito bom, mas por outro...........

Quem sabe, eu seja mesmo essa mulher de 30 anos, que queria morar dentro de uma redoma para sempre, protegida dos problemas reais e das incertezas diárias? A mulher de 30 que adora comer arroz com feijão e batata frita.

Só que eu sempre critiquei quem vive apenas olhando por cima do muro, para a casa dos outros, e esquece de olhar para seu próprio terreno. Por isso, guardei meu banquinho e sigo brincando de viver minha vida, um dia de cada vez. Amanhã eu penso no dia de amanhã. E depois de amanhã, fica para depois.

sexta-feira, abril 06, 2007

Com todas as letras...


Hoje ela foi surpreendida! Exatamente quando menos esperava, ele se declarou e disse que quer vê-la no domingo, quando voltar para casa. Em meio à crise nacional dos controladores de vôo, ele espera que sua conexão atrase e o tempo de espera seja o suficiente para os dois se encontrarem.

Depois de tantos anos e de tantas oportunidades que tiveram e desperdiçaram, essa sem dúvida, é a mais impressionante. Parece que eles vão se encontrar sim, e terão tempo suficiente para se olharem nos olhos e discutirem a relação. Ou não. Só quem saberá são eles dois e mais ninguém. Que assim seja. Que sejam felizes para sempre ou até onde eles quiserem ir.

quinta-feira, abril 05, 2007

Justiça... Existe mesmo?

Nunca fui boa em falar sobre tristeza, menos ainda em escrever sobre coisas tristes. Porque sempre acreditei que meu sorriso e minha felicidade poderiam ser maiores que tudo. Mas é aí que dias como esses chegam e você não sabe o que fazer... E nem muito menos o que falar. Principalmente se a pessoa que está sofrendo é quem você ama.

Foi aí que eu encontrei alguém, que já disse o que eu sinto, através de poucas palavras e muito sentimento. Então, eu pensei... Por que não mostrar pra quem quiser ler, que essa mulher de 30 que vos escreve, também pode ser lágrima e um pouco de angústia?

Pela janela consigo ver o céu azul, o sol brilhando lá fora, e as folhas das árvores caindo. Natural, afinal estamos em pleno outono. O dia está lindo e dentro da minha casa sinto frio e tenho um certo medo. Meu coração normalmente estava calmo em dias assim. Só que meus olhos parecem não conseguir mais transmitir beleza alguma para dentro de mim. E de repente, sem aviso prévio, as lágrimas começam a cair.

Existem mágoas difíceis de serem administradas, que invadem nossos corpos de tristeza e amargura, nos fazendo agonizar, ansiando para que acabem logo. Não há controle, não há alivio. Apenas dor, como um câncer que se encontra em metástase iminente. Estas dores se tornam mais presentes a cada dia de forma vigorosa, mostrando de maneira clara que o passado nada mais é que um pedaço vivo do presente.

Olho ao meu redor e vejo alguns amigos necessitando de ajuda. Vou ao encontro deles, mas sem compreender direito quem será ajudado no final das contas. Quando consigo perceber, eu já estou deixando ali um guia teórico para quem quiser pegar. Enquanto isso meu coração apertado grita, pedindo socorro.

Quando estão mais tranqüilos, eu respondo com um sorriso de quem vive feliz, plenamente. Assim se passaram seis anos e nada mudou. Então saio e olho para o céu, tentando buscar uma resposta, uma esperança. Ainda que não saiba o que virá daqui para frente.

Decidi ir para a praia. O mar me acalma e permaneço ali, por horas, me questionando. Procuro aceitar algumas brutalidades e maldades que fazem conosco, como uma lição, um aprendizado. Não entendo os motivos, e nem quero entender. Porém, como em todos os ciclos, ele se repete. E nesse momento, o que eu mais queria era entrar em processo de isolamento. Não sei sorrir quando estou triste. Não sei disfarçar que está tudo bem. Não consigo lidar numa boa com injustiças. Não há resguardo, nem amparo nesse momento, sou eu sozinha, sou eu com ele, e apenas nós dois nos segurando para não cairmos.

Agora, eu preciso de paz. Paz de espírito. Preciso de um alívio, uma folga disso tudo. Tem me consumido e me sufoca. O silêncio dita minhas noites, quando vou dormir sozinha. Penso apenas no meu desespero em não conseguir solução para esse problema que se estende há seis longos anos. Preciso de uma noite em que eu possa fechar meus olhos e não sentir o peso do mundo nas minhas costas. Nem nas minhas e nem nas dele.

quarta-feira, abril 04, 2007

Devagar, quase parando...

Todos os textos que escrevi sobre Divórcio, Separações, Fins e Afins, estão no meu blog mais íntimo e pessoal.

Uma espécie de universo particular que eu dividirei com as pessoas que quiserem trocar figurinhas acerca desse assunto tão complexo!

Para Ler sobre os Fins e Afins!

Oras bolas...


Nada como um dia após o outro... Foi bom demais e custei a acreditar que o problema da última quinta-feira, se resolveu em menos de uma semana. Melhor ainda, sem qualquer atitude minha para revertê-lo... Não precisei nem me meter no problema. As cobras se atacaram sozinhas e o ninho se dissolveu. Agora, eu pago prá ver, de camarote!

terça-feira, abril 03, 2007

Fraquezas ou Franquezas?

"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - Nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...

Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas.

Você já viu como um touro castrado se transforma em boi? Assim fiquei eu...Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força.

Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão!!

Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma".

Clarice Lispector

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Clarice, para variar, me dando muitas respostas para o que tenho questionado ultimamente. Pode ser um defeito enorme o meu excesso de franqueza, como também pode ser encarado como uma qualidade ímpar. Essa coisa de não conseguir segurar para mim o que eu penso, de ter que colocar pra fora o que estava guardadinho até então e de ter que deixar sempre tudo muito claro, para quem quiser ouvir assusta. Para quem não quiser ouvir também...

Eu sou assim. Sempre fui assim. Isso faz parte de mim desde pequena, e não posso simplesmente me moldar de uma hora para outra. Nem quero... É claro que me causa alguns problemas, mas não posso criar um personagem em cima do que não sou... Tento apenas não me expor. Ou tento expor o que sinto e penso para quem me conhece realmente. Tento. Apenas tento. Isso não quer dizer que consiga.

Se quiserem me conhecer, conheçam-me exatamente como sou... Com todos os meus defeitos e todas as minhas qualidades, mas sempre sincera, acima de tudo. Com os outros e principalmente, comigo mesma... Em qualquer situação, seja lá qual for.

segunda-feira, abril 02, 2007

Pets...

Final da tarde de domingo, reuniãozinha na casa da M. para conhecermos sua mais nova companheira. Lola! Linda! Mínima, absurdamente delicada, frágil com apenas 1 mês e meio de idade, arteira, e toda carinhosa com as visitas.

Me encantei! Jamais havia imaginado que um dia me encantaria por um cachorro de porte pequeno. Menos ainda por um Buldogue Francês.

Já tive dálmatas, pastor alemão, pastor canadense, pastor belga, akita, e queria muito um rottweiller. Marido vetou. Por motivos que vão desde o pouco espaço para criar um cachorro do porte dele em apartamento, ao fato de ficarmos na dependência quando viajássemos para onde quiséssemos.

Só que a Lola nos surpreendeu. Tanto eu como ele, ficamos impressionados com aquela criaturinha tamanho P, e nos empolgamos quando soubemos que da ninhada da Lola, ainda havia sobrado uma fêmea dourada.

Achei mais linda quando vi na fotografia.

Que vontade me deu de ligar hoje mesmo para a dona dos cachorrinhos!!!! Só que ao mesmo tempo, milhares de coisas começaram a pipocar na minha cabeça. Nas viagens, onde deixaríamos nossa cã? Quem cuidaria dela na nossa ausência? Quanto se gasta mensalmente com uma cã do porte dela? Como seriam nossas vidas com essa aquisição para a vida toda?

Quanta responsabilidade!!!!

Estou pensando nos prós e nos contras, mas confesso que mexeu comigo!

domingo, abril 01, 2007

Basicamente...


Das coisas boas, as melhores são as que se complementam no todo e nos detalhes. E são nesses detalhes que eu te admiro, babo, me surpreendo, adoro, e só você sabe como fazer melhor.

Porque eu me apaixonei por detalhes seus, que fizeram a diferença na minha vida. Te amar é apenas mais um detalhe. Bom mesmo é ser amada por você. Em todos os detalhes e em todo o resto.

As fotos que tirei enquanto você fazia suas artes ficaram lindas. Tudo registrado. O dia foi perfeito e te ver todo sujo de tinta me deixou orgulhosa. No baú que construiu para mim, nos armários que pintou para aproveitarmos na lavanderia, na estante de ferro que era escura e ficou branca. Perfeita para o quarto azul. Perfeita para a nossa casa.

São detalhes que fazem toda a diferença. Do seu lado me sinto protegida e cuidada. Nos mínimos detalhes. Em todos os detalhes.

Porque para te amar, o detalhe foi perceber em tudo, o sorriso que eu tanto procurava. Você soube me mostrar o caminho para encontrá-lo e não perdê-lo mais diante de qualquer dificuldade.

Só você mesmo!

sábado, março 31, 2007

Queda Livre...

Olho as asas-deltas pulando da Pedra Bonita e fico imaginando a sensação de liberdade que deve se ter lá do alto.. Não tenho a menor vontade de pular da janela da minha casa, quanto mais do alto sei lá de quantos metros. Mas tem gente que gosta. Procuram esportes radicais, pulam das alturas, e fogem dos sonhos que os levariam aos céus.

E quando a gente se pega voando em nossos sonhos e se perdendo nos nossos pensamentos? Costumam dizer que quanto maior o vôo, maior a altura, e maior a queda... Eu não acredito nisso... Até porque, já voei alto demais nos meus sonhos. Caí de alguns e doeu, levantei, voltei a sonhar, voei alto de novo, e consegui alcançar o sucesso inúmeras vezes.

Nunca tive medo de voar. Nem nos sonhos, nem nos pensamentos, nem de asa-delta, nem de avião, nem de vassoura. Talvez esse ditado popular fosse uma forma boba, de se conseguir reprimir desejos e projetos mais audaciosos. Eu vivo o presente, a minha realidade, sem ilusões. Mas tenho os pés lá na frente, e projeto meu futuro a todo momento.

Já foi a época em que eu tive medo de cair. Passei um tempo subindo menos degraus do que deveria, porque achava que o tombo da escada seria dolorido. Vivo em busca do que eu sempre planejei para mim. Do alto, nos meus sonhos, ou daqui de baixo, na minha realidade. Não importa. Importa que tenho planos e objetivos. Metas e caminhos a percorrer. Isso me deixa motivada a seguir subindo.

Voar é para os que tem sonhos e asas. Voando mais alto, mais bela a paisagem.

sexta-feira, março 30, 2007

Momentos...

As coisas parecem estranhas quando a gente começa a acreditar que o mundo é grande demais pra esses sentimentos que nos preenchem todos os dias e em todos os momentos.

Você parece estranho quando me cobra o que eu nem sei se é ou não é. Eu pareço estranha quando planejo o que vai me acontecer depois de 16 de abril, se na verdade, nem sei o que vai acontecer na próxima semana.

Mas na verdade talvez eu saiba o que vai acontecer próxima semana. Talvez eu saiba o que vai acontecer depois de abril. Talvez eu saiba o que acontecerá no ano que vem...

E nesse mundo tão grande, pra sentimentos de todos os tamanhos, nós dois somos um só. Que de tão juntos, ficamos enormes e em algum momentos, ficamos mínimos.

No lugar certo ou errado, mas juntos. Nos fins de semana e durante a semana toda também. Porque não custa nada sonhar. E eu... Sonho de olhos abertos.

quarta-feira, março 28, 2007

Magia...

O sol brilha lá fora, brilhando quando toca os cabelos vermelhos daquela menina, e quando reflete no seu olhar. Ela insiste em não querer crescer...

Teimosa como ela só! Age como se o mundo fosse a Terra do Nunca.

O fato de não querer sentir nos ombros as dores do mundo é uma tentativa inútil de acreditar que tudo pode mudar, e ter fé sempre. Fé nas pessoas, no dia-a-dia, nas coisas e nos sentimentos puros que ainda habitam o seu coração. Por mais distantes que eles possam estar.

Porque amor e esperança são duas palavras que ela insiste em não deixar distante da sua rotina e da sua realidade. Porque mesmo que ela se torne uma mulher de trinta anos, madura, segura, indepente e promissora, essa inocência que reflete no espelho quando sorri nunca a abandonará. Todos que a cercam percebem isso. Todos que a cercam comentam sobre isso.

Porque ela é mesmo essa esperança e esse amor. Ela tem essa luz. Ela brilha. E isso não tem Capitão Gancho, Bruxa Meméia, nem Bruxa do Leste, que a faça perder. Ela já nasceu assim.

terça-feira, março 27, 2007

Tempero...

A vida volta e meia nos prega peças, e aparecem situações, onde precisamos tomar decisões importantes, capazes de mudar o nosso dia inteiro ou quem sabe a nossa vida inteira.

Quando acordamos, decidimos.

Decidimos se vai ser mais um daqueles dias normais, com pessoas normais e coisas normais, ou se vai ser um dia pesado, com coisas pesadas e pessoas pesadas. Se vai ser um dia feliz, com pessoas felizes e coisas felizes.

Comecei a observar que tudo depende de como queremos enxergar nossos problemas e enfrentar nossas dificuldades.

Porque o que nem todo mundo percebeu ainda é que nossos dias, quem conduz somos nós mesmos e a felicidade é mais um ingrediente que a gente coloca ou não, nessa mistura de sentimentos que preenchem a nossa vida. Tem gente que esquece de sorrir... Esse sem dúvida, é um ingrediente indispensável!

segunda-feira, março 26, 2007

Simples assim...

Em apenas dois dias ( final de semana), consegui fazer tudo e mais um pouco do que eu havia programado para fazer durante a semana inteira e não havia conseguido.

Começamos com o show inesquecível direto do trabalho, parada obrigatória no Baixo para comermos uma pizza, seguimos para casa completamente extasiados, demoramos para dormir.

Praia de manhã cedinho, brunch com amigos, passada rápida no Parque Lage e encontramos meus xodós, cineminha no final da tarde regado à muita pipoca, livraria até a madrugada, papo furado com os mesmos amigos, Lagoa... Muito namoro, mais um pouquinho de namoro, até dormirmos exaustos.

Café da manhã especial, faxina no apê a quatro mãos, leitura do jornal + duas revistas semanais que haviam acabado de deixar na caixa do correio, almoço de família.

Compra de materiais para a obra no prédio que termina amanhã (!!!), lanche no Bibi do JB regado à muito bate-papo com amigos prá dar uma variada, Vasco ganhando de 3X0 do Flamengo ( fazendo a alegria do maridôncio e da tricolor aqui), parada obrigatória na locadora para mais um filminho no domingo.

Pipoca de microondas, sorvete da HD só para nós dois, namoramos, namoramos mais um muito, assistimos ao filminho, dormimos assistindo ao filminho, e acordei no meio da madrugada. Decidi ligar o computador e escrever um pouco.

Essa falta de rotina nos meus finais de semana os fazem inesquecíveis e especiais!

domingo, março 25, 2007

Sons...

De novo o silêncio, e me pergunto onde é que foi parar todo aquele barulho que ainda a pouco eu conseguia ouvir. Lá fora, só o barulho da chuva caindo no telhado e batendo na janela...

Quase que ouço as batidas do meu coração - e poucas vezes eu consegui ouvi-las... É uma sensação estranha e incômoda, até...

Às vezes acho o silêncio complicado, porque quando ele prevalece, quase sempre penso em coisas que não deveria pensar. Ao mesmo tempo, sei que ele é fundamental - pelo menos para mim. Lembro das vitórias, mas também acabo lembrando das derrotas no meu caminho...

Sinto-me tola por não poder dominar estes pensamentos... Por outro lado, escuto minha própria voz, e tento conversar com as paredes - que se mantém imparciais nessa "conversa". Nesses momentos mais críticos e angustiantes, em que eu não quero dividir os meus problemas com ninguém, as paredes me fazem companhia de alguma forma, eu é que sei... Agora, sou fiel à elas. Achei melhor assim. Não quis desabafar nada, nem coisa nenhuma, com amigos próximos ou amigos distantes.

Ontem me perguntei se a decisão que tomei me fará feliz, e se o rumo que as coisas estão tomando é o mais acertado, mas não obtive resposta...

A pergunta não saiu daqui de dentro do meu peito, ficou guardada. Ninguém ouviu, e mesmo que tivesse, ninguém poderia responder. Só quem poderia, seria eu mesma.

Terei que pagar para ver, mais uma vez. De novo o silêncio me fará companhia. Mas isso já não me preocupa, é necessário. Minhas dúvidas, meus medos, meus remorsos, meus grandes-amores-eternos... Tudo vem à tona.

Dúvidas sem respostas ( não para sempre)... Medos sendo esquecidos - cada dia mais... Remorsos sendo superados... Amores que imaginávamos serem para a vida toda, que acabaram... Outro amor para a vida toda aparecendo... A vida seguindo seus dias...

O silêncio fazendo mais barulho que o som... Aqui dentro de mim ele grita e me obriga a perceber que tantas perguntas são desnecessárias... As respostas não serão dadas por outra pessoa além de mim mesma...

sábado, março 24, 2007

Flores, flores...

Todo final de ano as floriculturas ficam amarelas, tomadas por girassóis abertos, de todos os tamanhos e em todos os bouquets. Não sei desde quando, não sei nem porque, mas essas flores me fascinam, me acalmam a alma, aquietam meu coração...

Queria estar no meio de um campo cheio de Girassóis. Acho que me sentiria imensamente feliz. Essas flores me passam a sensação de recomeço, de possibilidades, de esperança, de vida! Por isso, decidi que a igreja, no dia do meu casamento, estaria enfeitada com Girassóis por todos os lados.

Sempre ganhei orquídeas, flores do campo ou rosas de presente. As pessoas tem medo de errar e não inovam. Acabam tornando-se previsíveis e sempre pedem ao florista para preparar aquele bouquet de flores do campo bem bonito para enviar a alguém.

Um belo dia, meu namorado ( agora marido) me fez uma surpresa. Mandou para o meu trabalho um bouquet ENORME de Girassóis e um cartão lindo que me emocionou. Confesso que o bouquet me deixou mais emocionada, até porque, era o dia em que comemorávamos 1 mês de namoro. Apenas 1 mês.

No cartão, ele dizia que essas flores pareciam sorrir e eram para me fazer sorrir, porque eu já o fazia sorrir desde que havia me conhecido. Nooooossa... Andei nas nuvens. E sem dúvida, os Girassóis acabaram simbolizando a nossa relação.

Para mim, as flores representam muito mais do que apenas um arranjo para colocar num vaso e enfeitar o ambiente.

Representam almas, sensações, caminhos, encontros, palavras, sutilezas, pensamentos, vontades, desejos, reconciliação, amores, despedidas, reencontros, simplicidade, paixões...

Representam um emaranhado de sentimentos que estão contidos, seja em quem as ganha, seja em que as dá, ou em quem simplesmente as olha. Podem surgir acompanhando propostas, dúvidas, perguntas, certezas, afirmações... Ou apenas acompanhando a beleza.

Hoje ganhei Girassóis, sem datas para comemorar, sem motivos especiais... Isso foi o suficiente para me deixar com um sorriso bobo no rosto até agora.

sexta-feira, março 23, 2007

Reprise...

Tem dias que acordo com receio da minha vida virar uma reprise - pq nesses dias, tenho a persepção de que estou andando em círculos.

Quando sinto isso, fico pensando em várias coisas que aconteceram comigo, e as lembranças que imediatamente vêm à minha mente, são as que há tempos não deveriam mais estar aqui.

O M., me disse que eu preciso jogar fora alguns pensamentos... Respondi, que eles voam como bruxas em suas vassouras e fogem muito antes que eu encontre uma lixeira...

Fazer o quê? Ele tem razão. Vivo dizendo que sei que é verdade - mas essa mulher de 30 que vos escreve, é complicada... E hoje, ela vai ao encontro de uma das "bruxas" que aprendeu a deixar voar ao seu lado.

Esta já não a incomoda muito mais, só incomoda um pouquinho...

quinta-feira, março 22, 2007

Natural...

Aos 30 anos, com certeza, já fizemos um pouco de tudo.

Anos e anos de colégios ( estudei em quatro), cursos de línguas, academia, faculdade, mestrado, e uma porção de atividades realizadas em grupo. Muito natural, claro, que façamos amigos com procedências diversas, através dos quais conhecemos outros, e nos encontramos sempre que fulano ou sicrano promove algum tipo de evento.

Então, freqüentamos várias tribos, com as quais nos relacionamos de modos diversos. Com uns, é mais divertido jogar conversa fora, falar da vida, dividir sentimentos. São encontros de que saimos renovados, felizes, leves, já pensando quando será o próximo.

Já com outros, o vínculo é tão frágil que nos sentimos "sugados" cada vez que encontramos.Temos que fazer um esforço sobrenatural para conversar, trocar idéias e experiências. Situação muito parecida com o barulho horroroso de uma porta empenada.

E, cada vez que isso acontece, desapareço. Definitivamente, tem coisas que não preciso passar mais com essa idade. Nem com outras, para ser mais sincera.

quarta-feira, março 21, 2007

Perdida...

Tem vezes que me escondo dentro de mim e fecho os olhos para não me ver. Tamanha é a vergonha que sinto das minhas fraquezas. Tamanha é a raiva que sinto por não conseguir abandonar alguns hábitos. Tamanha é a dificuldade que tenho para superar determinadas perdas. Tamanha é a minha vulnerabilidade diante de determinados assuntos.

Tem vezes que eu preciso me perder. Preciso girar inúmeras vezes em torno de mim mesma, com o coração acelerado, em busca de encontrar novamente a segurança da estrada. Não consigo ver nada além dos buracos, de todos os tamanhos, causando inúmeros acidentes. Alguns mais graves e outros menos, mas todos ali, procuravam chegar no mesmo lugar.

terça-feira, março 20, 2007

Before Sunrise...

Quase dez anos se passaram.... Mesmo assim, as lembranças ficaram marcadas de uma forma que não sei explicar. Nos conhecemos e aconteceu. Olhos nos olhos. Língua com língua. Coração com coração. Pele com pele. Suor misturado. Mãos entrelaçadas.

Assim éramos nós dois. Iguais. Diferentes. Complementares.

Tão absurdamente envolvidos naquele momento, andando no calçadão da praia, e falando sobre nossas vidas e nossos planos para o futuro, que sequer percebíamos a presença de outras pessoas por perto. Nada interessava. Nem o tempo passando e o dia amanhecendo. Tudo na mais perfeita sintonia. Tão bom que não poderia ser errado.

Mas, foi. Nos perdemos por causa da distância geográfica e escrevemos a nossa história em apenas uma noite. Jamais imaginaria que aquela noite seria uma das mais perfeitas e envolventes da minha vida. Que aquele cara me marcaria tanto, com tantas coisas ainda para eu viver. A imaturidade me impedia de acreditar que ele poderia ser o homem que eu queria para mim. As nossas histórias foram escritas separadamente, e com outros personagens.

Agora existimos apenas assim, no plano das lembranças perfeitas - e ao mesmo tempo, rebeldes. Eventualmente elas fogem, correndo desesperadamente e batem na minha porta pedindo para viver. Nem que seja um pouquinho. O pior, ou melhor - sei lá - é que eu acabo deixando entrar.

Nos reencontramos no final do ano passado. Quase dez anos depois daquela noite...

segunda-feira, março 19, 2007

Presente de Grego...

Graças à minha família, aos meus amigos mais próximos e aos mais distantes, meu aniversário foi espetacular. Fiquei emocionada com tantas surpresas e tanto carinho, vindo dos lugares que eu menos esperava.

De onde eu imaginava que viesse algum carinho, só veio a surpresa.... No momento que eu menos esperava.

domingo, março 18, 2007

30 Anos...

Amanhã, faço aniversário. E o que isto significa, além dos anos que estão passando cada vez mais rápido e o tempo em si, que insistiu em correr depressa demais?

Significa que estou mais experiente que aos vinte, ou pelo menos deveria estar. Significa que estou há trinta anos convivendo com o meu melhor e o pior de mim, ainda que tentando indiscutivelmente desvencilhar-me deste último, a cada momento.

Significa que os trinta e um estão chegando, e que com ele aprenderei a lidar com mais algumas cobranças na minha rotina - a de administrar o estigma da pseudo-infertilidade - todos falando sempre o mesmo assunto, todas as amigas grávidas, pressão da família aqui e ali; administrar a desaceleração da capacidade reprodutiva, do meu metabolismo que fica mais lento a cada dia e a olhos e medidas vistos pedindo combate através da alimentação adequada e de exercícios mais direcionados.

Pelo menos do folclórico "encalhamento-da-mulher-solteira-aos-trinta " me livrei. Aff, esta chateação já não passa nem perto há quase três anos, quando uni-me ao meu luv. Menos uma " tragédia" da maturidade feminina a ocupar meus pensamentos mais íntimos, e a afetar o meu fígado - que já é ruim desde a adolescência, aliás - as rugas e vincos na pele do rosto, que enrugada seja! [muitos sorrisos largos diariamente]. Todos os estigmas: todos, determinantemente, besteiras.

Posso escutar a celebração... Parabéns!!! Você faz aniversário hoje, vamos comemorar, que legal! Legal para mim, é compreender que a sabedoria dos meus trinta anos é ingênua perante a que me aguarda daqui a uma década, mais legal ainda é não querer trocá-la pela insegurança e inconstância que me perseguia há dez anos atrás. Confesso que essa incostância me persegue até hoje.

Legal é saber que eu encontrei um amor verdadeiro aos vinte e quatro, mas que este encontro poderia ter acontecido aos trinta e quatro e que, em qualquer momento, só diria respeito a mim, a ele, a nós dois, e a mais ninguém. Mais legal ainda é enxergar que, na vida, não há tempo certo, nem regras, para encontrar um grande amor. Há olho certo. E é você quem percebe o momento em que o olho está treinado para enxergar príncipes sim, e não sapos, rivais, ameaças ou algozes.

Legal é poder decidir quando é a hora de aumentar a família. Quando é a hora de trazer alguém ao mundo, ou simplesmente decidir não trazer. Fazer um filho, não por inexperiência ou pela cobrança e pressão impostos por desejos alheios. Não fazer um filho, tampouco, pelo temor anunciado da provável escassez de óvulos ou dos espermatozóides atletas e sarados, mas sim porque chegou num momento da vida em que o amor nutrido é maior que vocês dois juntos e por isso necessita de um espacinho a mais para se acomodar com conforto.

Este amor maior de três ou de quatro, pode vir aos quinze, aos vinte e cinco, aos trinta e aos trinta e cinco anos. Há quem o experimente aos cinquenta e cinco e consegue curtir da mesma forma e com a mesma intensidade. Escolher a hora para curtir um novo membro da família é que vale à pena. Chorar sobre o leite derramado faz mal e não dá é para se arrepender.

Amanhã, faço aniversário. E o que isto significa, além dos anos que estão passando cada vez mais rápido e o tempo em si, que insistiu em correr depressa demais?

Significa que a Chapeuzinho aprendeu com a idade: Abriu os olhos e aguçou o olhar, para observar mais; Segurou a língua e abriu menos a boca para ferir menos as pessoas e se expor menos ainda; Trocou as trocentas palavras sem sentido por um texto bem construído. Resolveu crescer numa ascenção sem fim.

Amanhã, faço aniversário. E o que isto significa, além dos anos que estão passando cada vez mais rápido e o tempo em si, que insistiu em correr depressa demais?

Significa que acompanhei. Que não fiquei parada vendo a vida passar pela minha janela, enquanto meu corpo e minha cabeça pediam por movimento e solidificação.

Significa que aprendi a entender e a gostar cada vez mais de atitudes, que eu não entendia e hoje sei perfeitamente qual o significado.Bom-senso, segurança, otimismo, responsabilidade e a maturidade, enfim. Pela estrada afora, nos interessa que tem muita coisa boa neste pacote de aniversário, bônus, mesmo que com ônus.

Que venham os cabelos brancos pois eles não vêm sozinhos. O que fazer com eles, eu decido depois.

sábado, março 17, 2007

Certo X Errado

Com o passar do tempo, usamos a palavra "relativo" com tanta freqüência que nos perguntamos, de que modo, surgiu a palavra "absoluto". A percepção de tudo pode mudar, de acordo com as circunstâncias e com os olhos de quem vê.

O que num momento parece natural, no outro pode causar repulsa. O defeito que atrai alguém pode ser o mesmo que repele outro. A verdade é relativa, depende do ponto de vista de quem a analisa. A beleza, então, nem se fala: Tem gosto para tudo, do amarelo aos mais esquisitos tons de violeta.

Até o passar do tempo, absoluto por essência, é assim. Dois minutos numa fila para pagar um banco parecem séculos, duas horas de espera para pegar um avião, rumo a um paraíso, passam desapercebidos. A única certeza absoluta, então, é a de que tudo é relativo. E, diante disso, é inevitável perguntar: Num mundo relativo, há espaço para certo e errado?

O que, para o mundo parece errado, para duas pessoas pode parecer certo? O que, para uma pessoa é certo, para o mundo pode parecer errado? Que parâmetros, afinal, temos nos dias do hoje, para fazer nossas escolhas? Parece que certo, certíssimo, é aquilo que faz o coração cantar, apesar de ninguém estar ouvindo.

Certo é o que traz lágrimas aos olhos, em momentos da mais pura satisfação e felicidade. Certo é o que traz alívio, segurança, plenitude. Mais do que tudo, certo é o que não agride a nossa essência, não vai contra os nossos principios. E errado é tudo o que nos impede dessas sensações. Até inventarem novos e satisfatórios critérios para definição.

Enquanto isso as expressões, "até o fim", "para sempre", "jamais", "nunca", e a tal da "despedida", podem ser interpretados como relativos...

sexta-feira, março 16, 2007

Opostos se atraem... DUVIDO!

Aquela teoria de que os opostos se atraem certamente foi inventada por uma pessoa com idade mental de 12 a 16 anos. Porque passada essa faixa etária, não tem jeito de um relacionamento funcionar, se as diferenças forem abissais. Eu que o diga!

Não importa quantas tentativas sejam feitas neste sentido. É claro que algumas diferenças são irrelevantes ou, pelo menos, não impedem uma aproximação inicial. Gostos musicais, questões temperamentais, modo de ver a vida ( pessimismo x otimismo, por exemplo). Mas, pares formados por pessoas "certinhas" e ovelhas negras, cultíssimos e absolutamente ignorantes, riquíssimos e paupérrimos tendem somente a dar certo nas comédias românticas americanas ou em novelas da televisão. 

Na vida como ela é, os semelhantes ( relacionando os aspectos essenciais) se atraem - e se complementam. Essa relação de complementaridade parece estar na ajuda recíproca que as duas pessoas podem se dar, para atingirem objetivos - individuais e comuns.

Nos dias de hoje, talvez se possa dizer, sem risco de se parecer pragmática demais em relação a questões emotivas, que o parceiro ideal é um sócio, alguém que vem para agregar mais valor à vida do outro, que vai acompanhá-lo, lado a lado, na consecução de sua finalidade social. Ou seja: ficou para trás aquela imagem do homem e/ou mulher que aparece na vida de seus respectivos parceiros, para resolvê-la ou impulsioná-la em alguma direção.

Mais do que nunca, amor é investimento na proporção ideal de 50% de cada lado. Sociedade com responsabilidade limitada, entre pessoas que dividem, entre si, cotas iguais de sonhos e objetivos.

quinta-feira, março 15, 2007

Despertador...

Em um minuto, muitas coisas podem acontecer. O primeiro beijo. O último. A primeira briga. Uma grande decepção. A substituição da esperança pelo pessimismo.

O telefone pode tocar e do outro lado, ser aquela pessoa que faz o teu coração palpitar como adolescente apaixonada. Um e-mail especial pode chegar e te fazer questionar que tipo de pessoa é aquela, que reage daquele jeito, a uma mensagem de três linhas.

Em um minuto, você pode encontrar alguém que não encontra há séculos e ter certeza de que nenhum conceito é tão relativo quanto o tempo. Por isso mesmo, constata que não precisa conviver diariamente para resgatar sensações indiscritíveis. Aquelas que julgava ter abandonado, perdido ou acabado em algum lugar do passado.

Em um minuto, é possível descobrir que se perdoou alguém do fundo do coração, despedindo-se, com facilidade, de tudo o que aquela pessoa significou um dia para você. E sentir o imenso alívio causado pela despedida. Inclusive quando é para você mesmo que está dizendo adeus, esperando nunca mais encontrar.

Em um minuto, alguém que você admira tanto pode te fazer um elogio, te fazendo pensar no seu potencial como uma realidade concreta, em vez de mera abstração. E isso pode te dar aquele beliscão que você precisava para acordar, há tanto tempo e não sabia.

Em um minuto, você pode mudar de postura. Ver os erros como oportunidades para aprender. Ver os acertos como indicativos de que você já aprendeu. Por falar em oportunidades, em um minuto, você pode perceber que cada uma delas é única e, portanto, "it´s now or never", o famoso, "ou dá ou desce"...

Em um minuto, decisões importantíssimas podem ser tomadas, mudando para sempre o seu caminho. Você pode entender que destino é uma mera convenção social, ou uma palavra sem sentido que repetem para explicar o medo do desconhecido. Porque a única coisa certa na vida é que o futuro reflete as nossas escolhas do presente. E, mudando as escolhas, estamos automaticamente construindo um futuro diferente.

Em um minuto, a vida pode ir do nada para coisa alguma. Mas, também pode dar guinadas surpreendentes. E te levar para o lugar onde você sempre quis estar, com aquela vista panorâmica para todos os obstáculos que, até então, te impediam de chegar lá.

Tudo isso de repente... Não mais do que de repente, como diria Vinícius...

quarta-feira, março 14, 2007

That's the point...

Estou me sentindo sufocada! Existem perguntas e respostas presas na minha garganta, loucas para pularem em busca do mundo encantado, aquele das histórias bem resolvidas.

Elas se repetem sem autorização, e ficam ali, camufladas com uma certa roupagem cafona, pensando que enganam quem as observa - ou quem as ouve - como eu. As conheço. De cor e salteado. Cada detalhe.

Já dei o meu consentimento. Não pretendo colocar barreiras. Vão. Livres e soltas. Corram a distância, ao mesmo tempo, tão grande e tão pequena, que o separam de mim. E façam-no entender que é chegada a hora das perguntas.

Reclamem, com vigor, o direito de cumprir seus papéis. Esclareçam. Gritem. Esperneiem. Expliquem. Porque quem lhes deu alforria não quer mais esperar... Cansei.

terça-feira, março 13, 2007

Andanças...

Decidi andar, com os olhos e os ouvidos bem fechados. Porque assim, de certa forma, adiaria a sensação dolorida que comodamente se instalava naquelas ruas. Já tinha percorrido aquele caminho tantas vezes que poderia fazê-lo mentalmente, em poucos segundos. Mas, não era o que eu queria.

Preferia caminhar na praia, olhar o mar, pensar na minha vida e associá-la ao movimento das ondas, docemente embalada pelo barulho da água batendo na areia. Se tivesse que sentir o gosto da água salgada na minha boca, que fosse de modo suave, enquanto ao mesmo tempo, podia me sentir abraçada pelo vento e pela umidade do ar naquele ambiente.

Se tivesse de ser sufocada pelo turbilhão de dúvidas, que, ao menos, me sentisse flutuando sobre as certezas. Se tivesse de sentir medo, que fosse apenas para lembrar que vivi tantos outros momentos de um jeito melhor e mais leve do que aquele. Afinal, para chegar à terra firme, é preciso navegar... Cadê a tábua das marés?

segunda-feira, março 12, 2007

Boi na linha...

Cheguei em casa, tranquei a porta, tirei os sapatos pelo caminho e me dirigi até a secretária eletrônica para escutar recados. Quatro. Os quatro da mesma pessoa. No primeiro, ela dizia: " Tiago, eu te amo, se você não atender este telefone agora, eu vou me matar!". Percebo que Tiago não atendeu ao apelo da menina porque ela, logo em seguida, ligou novamente. Nesse recado, ela não falou quase nada... Só disse: " Imagino que você esteja ocupado nesse momento, ligarei depois". Aff... Ela ligou mais uma vez, sua respisração ficou gravada na secretária eletrônica e desligou. Na última tentativa, o recado revelou um suspiro forte e profundo, seguido da seguinte frase: " Tudo bem, Tiago, você venceu. Tchau. Adeus".

Eu, que não me chamo Tiago, fico ali consternada eouvindo, inúmeras vezes, o sofrimento daquela menina. Eu, que não tenho primos, irmãos, cunhados, marido, ex-namorados, nem vizinhos que se chamam Tiago, me ponho a pensar em como terá sido a história de amor que envolveu tanto aquela garota, a ponto de utilizar a própria vida como moeda de barganha por alguns momentos ao telefone com seu amado. Meu pai não se chama Tiago, nem meu avô, nem o porteiro do prédio. Conclusão: o recado não era para ninguém na minha casa MESMO.

E então, especulo, novamente. E se aquela menina realmente fez o que disse? E se ela acabou com a própria vida por não ter falado com o seu adorado Tiago, sem sequer imaginar que ligou para o número errado?

E se Tiago se arrependesse de tudo? Se saísse procurando por ela pela cidade, chegasse à casa em que ela morava, desse de cara com os preparativos para o seu velório, e a mãe dela chorando sobre o caixão revestido de cetim brilhante, coberto de velas derretidas e flores murchas, e o pai dela, desolado, querendo esganar o pivô de toda aquela tragédia mexicana?

Pobre Tiago... Pobre garota... Romeu e Julieta do século XXI, em que o veneno letal atende pelo nome da companhia telefônica local. Totalmente sem graça, totalmente sem charme. Mas que dá uma sensação esquisita, um aperto no peito, ouvir um recado desse, ah, dá.

domingo, março 11, 2007

Essa tal felicidade...

Por Lya Luft... ( E que retrata muito bem esse meu momento).

Quando o que passou não importa mais.
Quando a conta no banco está mais ou menos, mas ainda tem as contas em dia e perspectivas de maiores ganhos.
Quando acordar do teu lado é o melhor antídoto contra a vida furiosa que corre lá fora.
Quando não receber um " bom dia" de alguém que deveria ser especial, não conta tanto como contaria há um tempo atrás. Quando a canção do rádio é boa demais e te envolve, a ponto de fazer você sair dançando sozinha onde estiver.
Eu comprovo.
Felicidade existe!

sábado, março 10, 2007

Mar Aberto...

Procurei abraçar o que era conhecido, enquanto o futuro me encarava com olhos condescendentes. Estou frágil, amedrontada e ao mesmo tempo, intoxicada pela emoção do que virá daqui para frente.

Pensei em como minha vida seria perfeita, se todos os momentos de transição fossem como o mar calmo de Cumuru, em que eu pudesse navegar com segurança sem maiores temores. Não haveria razão para, de repente, a maré virar e chegar um problema tão intenso como uma tempestade tropical, um furacão ou o ataque de piratas.

Durante muito tempo vivi tranquila, convencida de que encontraria a felicidade na brisa suave que podia me tocar a face, despretensiosamente, todos os dias.

Até descobrir que o calor do sol, sobre a minha pele, me seduzia, me fornecia energia vital, sem a qual não conseguiria mais existir. Foi quando o futuro, ainda sorrindo, estendeu-me a mão. E desta vez decidi aceitar sem pudor.

sexta-feira, março 09, 2007

Me impressionou...

Eu sempre observei as borboletas e buscava entender a dinâmica destes animais no meio da cidade, no meio da estrada, no meio do mato. Deixando para trás o passado, voando para um futuro cheio de sonhos... Hoje, esperando o taxi, vi uma borboletinha branca, linda, sobrevoando o canteiro de flores próximo a onde eu estava. Talvez de tanto observar e me encantar por elas, sem que eu percebesse, ela se aproximou e descansou em mim.. As pessoas me olhavam quando cheguei no trabalho, mas eu, desligada e mau humorada que sou em plena sexta-feira de manhã, sequer imaginei o que estava acontecendo.

Lá estava ela, a borboletinha branca, pousou no meu ombro e ficou... Vá entender? Me acompanhou de casa ao trabalho, andou de taxi, desceu comigo em frente ao prédio e me fez companhia por todo esse tempo. Quando descobri que ela estava ali, tentei ficar imóvel para que permanecesse. Como se isso bastasse para que ela continuasse no meu ombro.

Saí da sala, fui para a portaria do prédio e a coloquei sobre as flores da entrada. Na mesma hora ela voou e eu me emocionei mesmo sem saber o por quê. Foi embora. Meu final de semana está apenas começando!

quinta-feira, março 08, 2007

Sistema Solar...

Tem horas que me questiono se é melhor ouvir isso do que ser surda:

"...É que o Sol está localizado na sua décima segunda casa, a que simboliza o Karma, onde encontram-se as dificuldades que uma pessoa passa ao longo da sua vida, para se desenvolver emocionalmente e mentalmente. É denominado Inferno Astral. Esta casa nos ensina a liberdade que resulta da confiança nas leis naturais do Universo."

Se o sol estivesse dentro de mim nesse momento, não expressaria tão bem a minha realidade atual.

Mesmo com todas as dificuldades que surgiram nos últimos dias, saber que existem vários planos para a comemoração do meu aniversário me deixa com um sorriso largo no rosto!!

Idéias diferentes, objetivos diferentes, finalização do projeto no trabalho e novas perspectivas, me deixam otimista e com mais garra para lutar contra ou a favor do que vier pela frente no ano novo astral, que chegará em exatos 10 dias. Isso tem me deixado mais leve, e certa de que dias melhores virão!

quarta-feira, março 07, 2007

Conversa vai, conversa vem...

Conversar serve para muitas coisas.... Para passar o tempo, para matar uma saudade, serve para resolver problemas, para obter alguma informação, serve para resolver pendências, ou para esclarecer alguma dúvida, mas para mim, acima de tudo, uma conversa serve para o auto-conhecimento. Seja uma conversa com um amigo mais íntimo, ou com alguém que acabei de conhecer.

Acredito que esse auto-conhecimento pode vir quando se tem lucidez e clareza de idéias, que nos possibilitem expor uma sensação incômoda de forma mais precisa; ou quando se tem um interlocutor, que as vezes banca o analista, mas na verdade, é um super-amigo emprestando-lhe o ombro, os ouvidos e suas experiências de vida; ou quando se troca experiências e figurinhas com alguém interessado naquilo que você tem a dizer, conversar alivia tensões e estresses do dia a dia, tranquiliza o espírito e mostra de forma clara ao "problemático" que não era com ele o problema, que o mundo todo tem grilos e é necessário filtrá-los.

Uns filtram na praia, mergulhando, pegando onda, saindo de barco, pescando. Outros filtram nas ruas, na estrada, dirigindo, pilotando uma moto, ou pisando no acelerador. Outros filtram nos cadernos, num papel de rascunho, escrevendo, desenhando, ensaiando. E outros filtram conversando.

Expor o que eu sinto, se sinto, como sinto, sem preconceitos, sem medo de ser selado, tachado, analisado, rotulado ou repreendido, nos possibilita olhar para nós mesmos, enxergarmos o que dói, o que está fora do lugar, o que tem nos feito mal, o que cutuca o nosso cérebro e o nosso coração.

Se observarmos e verbalizarmos o que nos incomoda, somos capazes de compreender a razão desse incômodo e consequentemente, minimizar a angústia. É muito mais simples fazer essa análise, nua e crua, com a ajuda de um amigo especial.

Aquele amigo neutro, que está fora da situação, e reparte com você os seus grilos, seus medos, suas inseguranças, pode te mostrar o outro lado da moeda, além de te fazer enxergar que nenhum ser humano é perfeito, nem funciona 100% . Quem procura a perfeição durante as 24h do dia, pode pifar no último minuto. E pifar definitivamente, não é vergonhoso para ninguém. Reconhecer que não deu, menos ainda, apesar, de que muitas pessoas vivem de aparência, e só demonstram o lado colorido da vida delas.

Não dá para brilhar eternamente. Mesmo as pessoas que possuem um brilho natural, brilham mais quando estão felizes, e na maioria das vezes, é porque correram atrás e conseguiram alcançar algum objetivo. Esse brilho vem da batalha, da conquista, das lágrimas que caíram no caminho. Não vem da purpurina ou do lado colorido daquela vidinha que insistem em mostrar.

Acordar com um aperto no peito por causa de ansiedade, por medo, por insegurança, é convite básico para uma boa conversa, e para um bom bate-papo despretencioso. Se expor é completamente permitido. Demonstrar fraquezas ídem. Voltar atrás também. Reconhecer que está de mau humor, irritado, estressado, também é aceitável. Sentir medo é normal, é natural. Não faz ninguém mais nem menos vitorioso.

Enquanto a conversa acontece, vários sentimentos são expostos e acabam sendo analisados sob outros pontos de vista. Conversando com algumas amigas, fico impressionada em como superdimensionam uma sensação ruim, ou problemas antigos... Por quê carregar tantas culpas? Por quê remoer acontecimentos que já passaram e não tem mais como voltar atrás? Por quê permanecer lamentando o que não faz mais sentido algum?

Pode parecer que estou jogando o "Jogo do Contente", aquele mesmo do livro da Pollyana, mas não focar em coisas negativas e procurar pensar apenas no que há de bom faz um bem danado. Não dá para ficar se reprimindo por causa disso ou daquilo, afinal, todo mundo se sente meio "assim-assim" de vez em quando. Nessas horas todo mundo quer ser todo mundo. Vá entender...

Conversar com alguém, expor nossos fantasmas, nos ajuda a enxergar aquela luz no fim do túnel. Nessas horas, é sempre bom lembrar de escolher aquele amigo de sapatos e óculos cor-de-rosa para te transmitir a mesma energia.

terça-feira, março 06, 2007

Vem de berço...

Todos os textos que escrevi sobre os filhos dele estão no meu blog mais íntimo e pessoal.

Uma espécie de universo particular que eu dividirei com as pessoas que quiserem trocar figurinhas acerca desse assunto tão complexo!

Para Ler sobre Enteados!

segunda-feira, março 05, 2007

Amigos e Amores da Internet...

Lendo a respeito do brutal assassinato de uma mulher de 43 anos, que havia se encontrado com um grupo de meninos em torno dos 18 anos, e havia os conhecido através da internet, ouvi comentários do tipo: " É o que dá conhecer alguém pela internet".

Nossa, não é bem assim, convenhamos. A violência não tem mais um lugar específico, nem hora, nem motivos e é protagonizada por pessoas de históricos completamente diferentes, sem mencionar, que inúmeros casais se conheceram pela internet e mantém uma união sólida e sem surpresas macabras. E outros tantos, que se conheceram "como manda o figurino" e já passaram por poucas e boas.

Tudo bem, tudo bem, mas reconheço que independente disso, há algo nas relações virtuais que ao mesmo tempo que fascina, também assusta, e talvez por isso elas são vistas com desconfiança. Acredito que esse "algo" esteja na rapidez com que se as pessoas criam o vínculo. Não há outro relacionamento que elimine tantas etapas assim.

Nas relações "reais", você primeiro analisa onde está prestes a pisar, depois convida para um chopp, liga na semana seguinte, e por aí vai. Trocando emails, mensagens no MSN, Orkut ou Skype vc faz tudo isso em poucas horas. Meia duzia de mensagens é o que basta para uma intimidade "relativa" começar a surgir.

Com cada um no seu micro, o casal fica livre da timidez, e cria personagens muito mais sedutores e atraentes, que não gaguejam, que não vacilam, que não embolam as frases ditas: ao contrário, reescrevem quantas vezes for necessário para que elas saiam bem....... expontâneas e naturais.

Não há nada de mal nisso se for analisar como apenas mais uma forma de encontro com inúmeras vantagens. Porém a rapidez da internet esta se reproduzindo fora dela, e assim, ficamos vulneráveis e expostos.As pessoas querem saltar da tela dos seus computadores imediatamente, como se passar do virtual para o real fosse uma mera questão de continuidade, mas não é.

É preciso rebobinar a fita, reiniciar o programa, de repente, até dar uma pausa básica - ter um mínimo de cautela. Só que assusta observar que todos querem fugir da solidão o quanto antes, atropelando os dias e as fases, e acabam casando poucos meses depois de se conhecerem, com a mesma urgência das primeiras mensagens trocadas virtualmente, priorizando a paixão e dispensando o bom senso. Bom senso? Será que pensam nisso?

Conhecer alguém exige dedicação e uma certa demanda de tempo. Uma vida inteira, nem sempre basta. Aposta-se naquele relacionamento como se aposta numa loteria. Há os sortudos de primeira, batem os olhos e são têm uma certeza quase que divina: É ele! É ela! Mas e quem nao tem esse radar ultra-super-potente, que tenha calma. Toda a calma do mundo. Pressa prá que?

Viajar juntos, almoçar, jantar juntos, ficar sem dinheiro juntos, conhecer os amigos um do outro, testemunhar as relações familiares de cada um, observar as reações de ciúmes, as paranóias e os pitís, dividir as pizzas, dividir o banheiro, passar por uns sufocos. Se depois de tudo isso a vida a dois continuar cor-de-rosa, uma maravilha, um paraíso, parabéns, podem usar seus "apelidos", pq já sabem onde estao se metendo no mundo real.

Não há regras! O que importa é ser feliz.

domingo, março 04, 2007

A Bomba Estourou!

Todos os textos que escrevi sobre os filhos dele estão no meu blog mais íntimo e pessoal.

Uma espécie de universo particular que eu dividirei com as pessoas que quiserem trocar figurinhas acerca desse assunto tão complexo!

Para Ler sobre Enteados!

Bush em SP...

Alteração em toda a rotina no hotel onde ficou hospedado... Exército vistoriando a tudo e a todos na região... Manifestações em todo o país contra o presidente dos EUA... Feridos em SP... Declaração de que os EUA irão consumir mais biocombustíveis...

Para saber mais informações sobre essa notícia é só clicar aqui na Folha de SP.


[Fotografia retirada de camiseta alternativa]

sábado, março 03, 2007

Mais uma sobre o Processo!

Todos os textos que escrevi sobre os filhos dele estão no meu blog mais íntimo e pessoal.

Uma espécie de universo particular que eu dividirei com as pessoas que quiserem trocar figurinhas acerca desse assunto tão complexo!

Para Ler sobre Enteados!

sexta-feira, março 02, 2007

Os Filhos, as Dores e a Justiça...

Todos os textos que escrevi sobre os filhos dele estão no meu blog mais íntimo e pessoal.

Uma espécie de universo particular que eu dividirei com as pessoas que quiserem trocar figurinhas acerca desse assunto tão complexo!

Para Ler sobre Enteados!

quinta-feira, março 01, 2007

Pare o mundo! Eu quero descer...

Passei MUITO tempo tentando achar, uma frase que expressasse o que estava sentindo desde que cheguei de viagem. Não quero gritar à toa, tenho motivos de sobra no trabalho... A minha mesa está de cabeça para baixo ( a quantidade de papéis sobre ela é tão absurda que, se eu pudesse transformá-los em soldados, conquistaria o mundo...); tenho milhões de coisas a fazer nos laboratórios; e ainda não tomei nenhuma providência prática para a comemoração básica do meu aniversário que ocorrerá daqui a alguns dias.

Todos os prazos para a entrega dos processos e as reuniões agendadas me deixaram um pouco insegura. Querendo fugir, a todo custo dessa realidade. Ansiedade.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Presente Precioso!

Depois de voltar à ativa e me deparar com todos os tipos de humor, comecei a rever alguns conceitos básicos e primordiais para um bom relacionamento inter-pessoal com a equipe de trabalho. Cada segundo que passava e me estressava, eu parava um pouco para pensar e agradecer os dias espetaculares que tive ao lado do meu amor e de amigos especiais. Momentos que não esquecerei jamais, e que me fazem sorrir em meio à guerra que as meninas estão travando à toa.

Meu luv, esse eu dedico para você, que me deixou completamente desnorteada, com um sorriso largo no rosto, da hora que acordava até a hora que eu ia dormir, ao me fazer enxergar frestinhas de uma vida - a minha - da qual já não lembrava. Por me fazer sentir mais viva e mais feliz do que nunca.

"...Eu canto porque o instante existe / E a minha vida está completa / Não sou alegre nem sou triste / Sou poeta / Irmão das coisas fugidias / Não sinto gozo nem tormento / Atravesso noites e dias / No vento / Se desmorono ou se edifico /Se permaneço ou me desfaço / - não sei, não sei. Não sei se fico / Ou passo / Sei que canto. E a canção é tudo / Tem sangue / eterno a asa ritmada / E um dia sei que estarei mudo / - mais nada..." - Cecília Meirelles.

Hoje sei que precisarei de férias a cada seis meses, ou pelo menos de viagens nos feriados para me desligar absolutamente de tudo o que tenho que enfrentar na minha rotina profissional. Salvem as milhas! Salvem os feriados prolongados!

Que presente indescritível você me deu nesses últimos quinze dias!

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Retorno ao Trabalho...

Fizemos uma parada obrigatória no sul da Bahia, a caminho de casa. Conhecemos mais duas praias e aproveitamos mais do que na ida, por causa do tempo que havia melhorado, e porque já estávamos mais tranquilos com relação à estrada de terra desconhecida que precisávamos desbravar. Quatro dias maravilhosos e inesquecíveis!

Recomeçar no trabalho foi difícil, principalmente porque me surpreendi com a atitude das meninas da equipe! Dai-me sabedoria para aturar as piadinhas ridículas e a agressividade gratuita!!!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Praia do Forte e o Projeto Tamar...

Acordamos, embaixo de muita chuva na Ondina, mas mesmo assim criamos coragem para pegar o carro e enfrentar os quase 100km para chegar até a praia do Forte. Foi a melhor idéia que tivemos. Passamos o dia inteiro "perdidos" naquele lugar encantador. A rua que nos leva até o Projeto Tamar é linda, cheia de lojinhas e nos faz associar imediatamente à Rua das Pedras em Búzios. Confesso que gostei mais, por incrível que pareça.

Ficamos lá até quase 22h curtindo um barzinho mexicano com música brasileira (!) ao vivo, com direito à presenciarmos um pedido de casamento no palco, e não queríamos ir embora. Infelizmente, enfrentaríamos quase 100km para voltar ao hotel e ainda acordaríamos de madrugada para sairmos de Salvador.

Fomos embora com a certeza de que voltaremos logo, logo.

Não preciso nem falar das tartarugas e dos tubarões do projeto né?

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Pelourinho!

Que energia boa aquele lugar me transmitiu!!!!!
Lindo, lindo, lindo e extremamente seguro, diferente do que haviam cantado prá gente antes de subirmos.
Nos arrependemos imensamente de não termos ido mais cedo e só termos chegado de noite.
Quero voltar logo!

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Balanço dos dias de carnaval em Salvador...

Ficar no hotel dentro do circuito foi bom e ruim ao mesmo tempo. Muito bom porque eu conseguia ver o que eu queria da janela do meu quarto, filmar, fotografar, e simplesmente ignorar quando não estava a fim de assistir. Muito ruim, porque meio dia, a rua e todos os acessos fechavam, me deixando refém de táxis e sem poder ir para os lugares que eu queria. Os trios tinham uma programação pré-estabelecida, mas nem sempre cumpriam aquele horário e a ordem que estava lá no encarte. Tinham dias que terminavam de passar às 06h da manhã e meu sono ia prás cucuias. Os trios para as crianças começavam às 09h da manhã. Alguém merece????

Nossos planos de ir à praia no norte de Salvador, de comer um acarajé no Rio Vermelho, de passar nos pontos turísticos, ficou para a quarta-feira de cinzas. Rezando para que a chuva fosse embora e nos deixasse mais à vontade.


Terça-feira.............. Desistimos realmente de sair atrás do Araketu. Assistimos do camarote.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Inferno Astral...

Filosofar sobre o dia a dia, falando, escrevendo, ou apenas pensando, é um comportamento adorado por uns e odiado por outros, mas inevitavelmente necessário para nos manter lúcidos ( ainda que ácidos) diante da natureza humana, das nossas fraquezas, da nossa vulnerabilidade de ser carne, osso e pele. Um conjunto quebrável e perecível. Constatar que um belo dia não estaremos aqui nesse lugar dói. Dói ainda mais pensar que esta viagem cujo destino sabe-se lá qual é pode ter como passageiro uma pessoa amada demais. Como dói. Haja força.

Dói e amedronta. Dói saber que nossas preocupações, nossos anseios, nossas aspirações, tudo nosso pode deixar de existir daqui a um segundo, basta o coração parar. Basta um idiota trocar de pista sem olhar pelo retrovisor, seguir a mil e te atropelar enquanto faz sua caminhada matinal. Quando você ia pensar que morreria caminhando para não morrer? Não pense, já que dói e fui eu quem comecei, me proponho a fazê-lo por nós dois. Tenho pensado muito no que tem acontecido atualmente no nosso país, e a frequência que tem acontecido. Impunidade.

Pensar na nossa impermanência é uma das atividades mentais mais desconfortáveis. Não tem livro de auto-ajuda ou Dalai Lama que valha, que apazigue a mente, não há respostas exatas, afinal, Dalai é lindo, mas está vivo, como nós.

Impermanente, como nós, a diferença é que ele é iluminado e não dá pití ( será?). Pensar na morte.... Geralmente todos fogem disso, por um motivo ou por outro. Cantarolamos a música que toca no rádio, assobiamos uma outra canção qualquer, lemos um livro ou uma revista para transferir nossas idéias para outro lado. Há quem reze, peça a Deus e aos santos protetores para afastar estes pensamentos ruins. Vale tudo, tudo mesmo. Menos assistir aos jornais na TV.

Uma pessoa rouba achando que está sendo justo roubar de quem tem mais, outra não rouba e se julga uma tola porque não comete o mesmo ato, um homem mente para não magoar quem ama, uma mulher se mantém em silêncio para não denunciar o culpado, alguém mata porque está fora de si, outro morre porque está no lugar errado e na hora errada, e não deveria estar ali naquele momento, outra pessoa socorre, outros fingem que nem viram, crianças correm, avós e pais os recolhem daquela situação e os protegem de alguma forma, portas se fecham, e todos estão em suas casas, acreditando estar salvos do perigo, que não tem mais hora nem lugar.

Uma grande amiga minha, grávida do primeiro filho, perdeu o bebê. Já a segunda gestação foi um sucesso e veio ao mundo uma menina linda, levada como tem que ser - uma espoletinha, como a chamamos. Será que aquele que não veio seria assim? Se tivesse vindo, será que a N. nasceria e nos daria esse prazer de vê-la e amá-la como se fosse da nossa família? Penso muito sobre interrupção de gravidez e sobre essa coisa de pré-destinados. Destino? Como seria se aquilo ali não acontecesse, fosse interrompido, ou o contrário?

Gosto mais de viajar de carro e curtir a natureza do que de avião. Me questiono o que quer dizer uma pastagem queimando sem que ninguém esteja por ali para ter causado? O que quer dizer uma árvore solitária no alto de um cume, isolada, quase coberta pelas nuvens? O que quer dizer aquelas pessoas que aparecem do nada no meio da estrada, andando, andando, perdidas ou não, abandonadas ou não, com rumo ou sem nenhuma perspectiva?

Aquela criança que está sozinha no pátio da creche foi discriminada pelos amiguinhos, está sem alternativas, apenas sem vontade de se juntar aos outros ou tem problemas de comportamento? O que quer dizer um sorriso? O por quê do mau humor, ou do bom humor? Quem se atreve a explicar a razão de fulano ter escolhido para amar justamente você e do sicrano, que você escolheu para amar não retribuir isso?

Neste momento, várias pessoas perambulam pelas ruas em busca de algum lugar, de algum compromisso ou sem motivo algum. Alguém interrompe o trânsito na rua, uma discussão sem mais nem menos, uma multa, uma infração, duas pessoas se olham, se acham e não se separam mais. Tudo porque alguém interrompeu o trânsito naquele momento.

Beijos emocionados, beijos roubados, beijos mal dados... Pais abraçando seus filhos, pais que perdem seus filhos, o cochilo do meio da tarde e a insônia nas madrugadas... Por quê, por quê, por quê? Por quê sentimos medo quando nos sentimos desprotegidos? Po quê nos sentimos fortes e enfrentamos todos os problemas quando estamos ao lado de quem nos ama? O que quer dizer aquela espinha que insiste em aparecer na ponta do meu nariz, durante a minha TPM? Quero saber o por quê sonhamos coisas que nunca conseguimos entender nem explicar - às vezes, nem lembramos do que sonhamos.

Teorias ou a ausência delas... O acúmulo de emoções percebidas, algumas despercebidas, outras assimiladas e a grande maioria nem isso. A felicidade me arrepia, a tristeza me dá sono, quando estou angustiada fico com friozinho na barriga e quando estou apaixonada esse friozinho se transforma em borboletinhas. Fico meio boba e sorrio prá quase todo mundo. Para muitos problemas, encontramos soluções. Para poucas doenças encontramos a cura.

Não consigo ficar do lado de fora do que me afeta, seja bom ou ruim. Então, como dizia o poeta Mario Quintana, "... longa vida aos que preferem estar do lado de dentro, mesmo sem entender muito de nada..."

Constatar que não somos eternos é estranho, pelo menos para mim. De que nossos beijos também não são, nem os nossos sonhos, nem as nossas viagens. Nossos carinhos, nossos chopes, nosso suor, nossas lágrimas. Elas secam, tudo seca, tudo se acaba, só não sabemos quando, nem como e nem queremos saber. Dá medo.

Mas pera lá, medo para quê? Para não se entregar, para deixar de amar, deixar de se doar, deixar de ter um filho, bloquear-se diante de todo e qualquer presente da vida por temer que ela retire tudo de você um dia? Bingo! Não vamos ganhar sempre, mas vamos perder tudo um dia, para ganhar o desconhecido - quem sabe. Enquanto isso, já que estamos aqui, enjoy us. Acendemos velas, incensos, acreditamos em sete vidas ou pelo menos, em uma, após a morte ou agora mesmo.

Começar a dirigir finalmente, procriar, amar, sonhar, comprar, gastar, ajudar, se mexer, pensar besteiras. Até quando? Até quando? Até onde der, ué. Filosofia barata. Doeu, mas passou. Pelo menos por enquanto.

Viajei demais ou tudo isso é porque estou no início do meu inferno astral?

domingo, fevereiro 18, 2007

Primeiro trio dos restos de nossas vidas...

Acordamos cedim para pegarmos os abadás que compramos pela internet. Enfrentamos um mega engarrafamento e me assustou a quantidade de pessoas que estavam no tal estacionamento em busca das roupitchas para os trios. Mesmo assim, lá fomos nós, e nos dividimos em filas diferentes para cada "etapa" do processo de retirada do abadá... De certa forma, como a última coisa que eu pensava naquele momento era em tempo, horário e afins, me diverti e fiz algumas amizades na fila que eu estava. Não conheci um só baiano - todos que conversei eram turistas como eu.

Almoçamos por lá enquanto a lojinha reformava os meus abadás para deixá-los mais personalizados. O A. perdeu os documentos e o C. e a S. nos encontraram para almoçarmos juntos e definirmos sobre a night no Trimix. Quando percebemos já era tarde e precisávamos voltar ao hotel ou não conseguiríamos passar de novo, a não ser, escoltados.

Beleza. Tudo estava sendo bem divertido até então, e nos paramentamos todos para o trio do Netinho. Na Bahia, ele ainda faz um mega sucesso e nunca imaginei ver tanta gente como vi. Imaginava que o trio dele era mais light e me dei mal. Principalmente quando ele manda todos "darem a volta no trio"... PQP... Quase fui atropelada e pisoteada... Me enfiei por baixo da corda que fechava o caminhão e por lá fiquei até pararem de correr em volta do trio.

Vimos muitas brigas, a polícia retirando os caras que arrumavam confusão, mulheres se esbofeteando e arrancando os cabelos, mas nada de barra pesada conosco. O que aconteceu de mais sinistro, foi quando estávamos na "pipoca", indo para a concentração do trio, e cercaram o C. para roubar o que ele tinha nos bolsos. Como ele não tinha nada, nada aconteceu. Ufa.

Nesse momento, repensei os dois dias anteriores e a praia em Cumuru... Acho que a fase que entrei na minha vida agora é de calmaria, tranquilidade, paz, praia deserta.

Quando já tínhamos andado mais de 80% do caminho, cansei. Entrei no meio da fila indiana de policiais para me escoltarem até o meu camarote e fui toda prosa. Ninguém encostou em mim. Frescura? Acho que não. Definitivamente, já tinha passado pela experiência que me faltava, que era sair atrás de um trio elétrico. Esse foi o de sábado. O de terça, já desisti até segunda ordem. Uma coisa de cada vez.

sábado, fevereiro 17, 2007

Estava certa...

Passei a minha adolescência inteira sem a menor curiosidade de passar um carnaval na Bahia... Tudo o que meus amigos queriam na época, era passar o carnaval em Salvador, sair atrás dos trios elétricos e beijar muitos pretês na boca. Aquilo jamais me instigou alguma coisa boa... Sempre me chamaram de fresca e até às vésperas desse carnaval, os mesmos amigos me diziam que pagavam qualquer coisa para tirarem uma foto minha no meio da "galera".

Ninguém precisou pagar nada. Fui. Com a cara e a coragem, para julgar realmente com conhecimento de causa. Agora sim, posso dizer que atrás do trio elétrico só na próxima vida. Minha cota já acabou.

De repente, errei por ter ido de carro, passado pelo sul da Bahia e parado em praias paradisíacas antes do inferno... Talvez, de avião, descendo direto em Salvador, teria enxergado de outra forma. O problema é que depois de ter passado por dois dias maravilhosos, onde acordava com o som do mar e dos pássaros, preguiças sobre as árvores, e sequer olhava o relógio ou os celulares, me vi no meio da multidão suada, brigas, arrastões, assaltos, e pisões no pé. Aff... Acho que a idade chegou...

Ao mesmo tempo, acho que teria o mesmo ponto de vista nos meus 15 anos.

Quando saíamos do paraíso, nos deparamos com a estrada pela metade. Havia chovido a noite toda, e uma parte da estrada caiu. Simples assim. Sem nenhum aviso prévio, chegamos lá e não tínhamos como atravessar a não ser de bote. Tivemos que voltar mais 220km e recomeçar nossa viagem. Ao invés de 10h, levamos 14h para chegarmos em Salvador. Foi uma aventura.

Passamos pelo meio de uma boiada. Posso dizer que praticamente fomos atropelados e senti um friozinho na barriga no meio das vacas e dos boizinhos. Tiramos muitas fotos, e tenho mais histórias para contar pros meus netos (!!).

Acabamos chegando em Salvador na sexta-feira de carnaval, em meio ao trio elétrico da Banda Eva. Tivemos que ser escoltados até o hotel e o carro ficou na rua. Impossível chegar no estacionamento com milhares de pessoas atrás do trio.



Assisti a primeira noite do camarote. Estava exausta e nem pensei em enfrentar aquele tumulto depois de tantas horas de estrada.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Dias merecidos de folga!

De hoje até o dia 17 de fevereiro, estarei de férias pelo sul da Bahia e, a caminho da multidão no meio dos trios elétricos em Salvador! Ficarei perdida por lá até o dia 26...

Volto depois com força total para atualizar tudo o que eu vivi, senti e deixei de escrever por causa da vida mansa e sem internet.

Beijocas.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Na marra...

Escrevi hoje para uma grande amiga da turma do ballet. Descobri que na rua em que moro há pouquíssimo tempo, tem um estúdio de dança conceituadíssimo, e cheguei a me arrepiar quando passei na frente e li a placa ( sem exageros). Que vontade me deu de entrar e perguntar tim tim por tim tim os preços, os horários e as turmas para adultos. Mesmo sem tempo para mais nada, decidi que voltarei ao ballet e não jogarei fora os 20 anos que estudei com afinco.

Parada há seis anos, por causa do horário de trabalho e afins, me arrependo de não ter dado continuidade mesmo com o pouco tempo que me sobrava. Sempre fui muito disciplinada, e jamais continuaria na turma se não conseguisse frequentar diariamente, como sempre fiz. Por isso, saí. Triste demais, mas saí.

Hoje, passando pelo tal estúdio, fiquei pensando na conversa que eu tive com o A. " Tem coisas que devemos procurar abrir espaço na marra, ou corremos o risco de serem extinguidas das nossas vidas"... Foram as palavras dele que mais me chamaram atenção naquele momento, e que hoje, do nada, me vieram à tona. Pois é assim que estamos levando nossas vidas atualmente, na marra. Se tem algo que não se dilata espontaneamente, é o tempo, pelo contrário, cada vez se aperta mais, e a gente acaba extraindo tudo o que a gente quer da vida, assim, forçando um pouco ou um muito, para que aconteçam finalmente.

Dessa forma, seguimos na "night" - mesmo com medo da própria sombra. Saimos para jantar, para o cinema, para algum barzinho ou casa de amigos, colocamos um cd no carro e seguimos cantando com os vidros bem fechados, despistando as neuras e tentando estacioanr bem longe das estatísticas estampadas nos jornais.

Prometemos nunca mais telefonar para quem nos faz sofrer, mas sempre telefonamos. Ele atende, e implica, e a gente some, e ele chama, e a gente volta, e briga, e ama, e sofre, e ama, e ama, e desama, e termina, e quando parece que cansamos, que não há espaço para um novo amor, outro aparece, outro parto, começa tudo de novo, aquele ata-e-desata, o coração da gente sendo puxado pra fora. Aff...

Somos mágicos: vivemos 38h por dia, nove dias por semana, 16 meses por ano - com um salário microscópico, bolsos e cofrinhos vazios, e muita força de vontade. Conseguimos dar a volta ao mundo com meio tanque de gasolina, dormimos apenas cinco horas por noite ( o suficientes para mim), sonhamos acordadas o tempo inteiro. Saímos para um drinque com as amigas e voltamos para casa sóbrias, entrando em casa sem acordar ninguém - uma borboleta não seria mais leve. Lemos todos os livros do mundo nos intervalos das novelas e durante o futebol deles.

Paramos três segundos para olharmos o pôr-do-sol pela janela, telefonamos para nossos pais ao mesmo tempo em que respondemos o e-mail do chefe, e se alguém sorri prá nós, a gente se aproxima, se arrisca e renasce nesses momentos da vida. Porque se não for assim, será da casa-pro-trabalho, e do trabalho-pra-casa, deixando o tempo agir sozinho, esperando dilatações espontâneas como no momento em que um bebê está prestes a vir ao mundo. Como essas dilatações não acontecem, permanecemos ali, paralisados naquela mesma vidinha de sempre, lamentando o fim das aulas de ballet.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Caquinhos...

Todos os textos que escrevi sobre Divórcio, Separações, Fins e Afins, estão no meu blog mais íntimo e pessoal.

Uma espécie de universo particular que eu dividirei com as pessoas que quiserem trocar figurinhas acerca desse assunto tão complexo!

Para Ler sobre os Fins e Afins!

domingo, fevereiro 04, 2007

Ponto de Vista...


Aos trancos e barrancos, e depois de muita porrada, sigo olhando as estrelas e otimista, como sempre. Ufa!

sábado, fevereiro 03, 2007

Joga fora no lixo!

O mundo moderno é assim: reciclagem, coleta seletiva, vidro para um lado, papelão para o outro, plásticos, latas, tudo separado, e ai de você se misturar garrafas com jornais! É tudo separado, ensacado, colocado na cestinha que compramos com cores diferentes para cada compartimento. Tudo isso, dividido com meus ilustres vizinhos. Tudo lá: escancarado!

As garrafas de vinho vazias e as embalagens de camembert e brie, mais os frascos das geléias de damasco e cassis no lixo denunciam a noite memorável que você teve, ontem, junto à lareira, com seu amor. Seus vizinhos sabem. Não sabem seu nome, seu telefone, não te reconheceriam se cruzassem contigo na rua. Mas sabem o que você tomou durante toda a semana no café da manhã: suco de melancia. E sabem dizer até qual é a marca do dito cujo e a padaria que vc compra o pão.

Seu vizinho sabe que você foi agraciada com um buquê enorme de girassóis na semana passada, já que ele teve o desprazer de encontrar as probrezinhas no cesto, nesta tarde. Estavam elas lá, murchas e mal-cheirosas, depois de tanta felicidade que proporcionaram aos seus olhos. Sabem todas as vezes que vcs brindam ou comemoram o sucesso do relacionamento de vcs ou qualquer outra coisa que tenha dado certo.

Estava começando a dieta e não queria contar pra ninguém? Não adiantou o segredo: seus vizinhos foram os primeiros a descobrir que você planejava afinar sua cintura. Como não notar que as caixas de chocolate e pizzas delivery deram lugar a potinhos e mais potinhos de iogurte desnatado e shakes prontos? Como não perceber que, ao invés das volumosas caixas de petit-fours, você andou preferindo sacos de pão de fôrma light e queijo cottage?

Eles sabem de tudo. Sabem o que você come, o que você bebe, o que você descarta, conhece os jornais e revistas que você lê e tudo o que vc assina e chega pelo correio. Estas pessoas saberiam dizer exatamente quem você é. Santa-discrição-do-vizinho-ao-lado-que-nos-proteja! Conclusão que chego: Reciclar já e privacidade para depois.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Bate-boca sem sentido...

Tudo ia muito bem na equipe até começarem as fofocas... Hoje, mais uma discussão das meninas, sem sentido nenhum... Que saco! Fico pensando até que ponto vale à pena me meter na discussão e expor meu ponto de vista ou se é melhor ficar quieta deixando que se matem. Perdi a paciência. Essa coisa de sairem batendo porta, e deixando os outros falando sozinhos não é postura profissional nem de longe - Pelo menos não para mim... E isso, definitivamente eu não aceito.
Para completar, saí da sala, não me despedi de ninguém porque elas já tinham saído esbravejando, e quando me dirigia ao portão de saída para ir embora: TIROTEIO....
Todo mundo que estava saindo, voltou e deitou no chão... Os carros deram ré, uma sensação muito merda. Me escondi atrás de uma árvore, mas o celular tocou. Meu luv, me perguntando que horas nos encontraríamos, e eu desandei a chorar... Me senti tão exposta e tão impotente... Queria colo, queria paz, queria segurança. Que finalzinho de expediente.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Perto demais...

Todas as semanas, independente da quantidade de trabalho ou de qualquer outro motivo, escolhemos um dia e vamos ao cinema. Geralmente, nas noites de quartas... Hoje, depois de um dia exaustivo, decidi pegar dois filmes na locadora e assistir em casa, largada na minha cama. Peguei dois filmes que já tinha assistido no cinema, mas que gostaria muito de rever.

Fui na pré-estréia de Closer, com meu luv e alguns amigos. Confesso que o filme mexeu com cada um de forma diferente. Acho que depende muito da fase que cada casal está vivendo quando o assiste e por isso as conclusões foram bem distintas. Na época, achei muito interessante, mas não fiquei pensando muito a respeito. Hoje minha visão foi outra.

Lembrei imediatamente de um poema que eu li há alguns dias e que me persegue desde então. Nesse poema, que sequer lembro o nome, tem um verso que diz: " Nenhuma pessoa é lugar de repouso".

Imediatamente, percebi o quanto esse verso era perfeito para a história que eu estava revendo, onde quatro personagens relacionam-se entre si e nunca se satisfazem, seguindo sempre em busca de alguma coisa, que não sabem exatamente o que é. Não interagem com outras pessoas ou com as questões banais da vida. É uma viagem interna que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que de certa forma, é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Imagino, que certamente assinariam embaixo do verso que me persegue volta e meia.

Apesar dos diálogos divertidos e interessantes, é um filme seco, e posso dizer que bem triste. Uma visão microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um leque enorme de opções sexuais e total descompromisso com a eternidade - nada foi feito para durar. Quem não estiver feliz, faz as malas, e sai batendo a porta ou não. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraiso, mas o fato é que assim que o filme acabou, senti um gosto amargo na boca.

Com o tempo e com a vida, amadurecemos, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos mais tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar alguém, que sozinho, consiga corresponder todas as nossas expectativas - sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o "sistema" de rodízio e aproveitam a vida da forma que julgam ser mais prazerosa. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, certo?

O problema é que ninguém é maduro o suficiente, a ponto de abrir mão de toda a inocência que lhe restou. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Atualmente, o que mais vemos e ouvimos são os contos de foda, mas mesmo assim, sou mais romântica do que cética.

A vida lá fora flerta descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo: "leve dois, três, e pague um"... Também parece tentadora a idéia de contrariar aquele verso que me persegue (e já citei anteriormente) e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir o marasmo de um relacionamento que já não é mais apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você... Já nao é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, em brigas ou discussões... Os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se incomode com isso?

Relacionamentos mais longos conseguem atravessar a fronteira do que é estranho, um vira "casa" do outro. A amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de aventuras. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza do que sentimos por alguém. Medimos a grandeza desse sentimento diante das atitudes diárias e do que aquilo tudo representa.

Sentar junto dele, de frente para a lua, quando há lua, ou de frente para a chuva, quando há chuva, e brindarem com as taças novas, contendo vinho, café, ou água... Já ouvi falarem que isso sim é paz. Vejo mais como uma relação calma entre duas pessoas que sem se preocuparem em ser modernas ou eternas, fizeram uma da outra, seu lugar de repouso. Se escolheram e de repente, tem é preguiça de voltar à ativa. Muitas vezes é isso mesmo. Mas vai saber, pode ser amor de verdade.